Corpo de mulher trans assassinada é deixado na delegacia após o crime em Luís Eduardo Magalhães

Parentes lamentam crime investigado como feminicídio; suspeito levou o corpo à delegacia e foi liberado após se apresentar espontaneamente

Mulher trans morre após receber golpe de 'mata-leão' de motorista por aplicativo dentro de carro na Bahia — Foto: Reprodução/TV Bahia

Uma familiar de Rhianna, mulher trans assassinada no último sábado (6) em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, fez um apelo por Justiça nas redes sociais nesta segunda-feira (8). A jovem foi morta por estrangulamento, por meio de um mata-leão. O suspeito, um motorista por aplicativo, chegou a levar o corpo à delegacia da cidade e pedir socorro. A Polícia Civil informou que o caso é investigado como feminicídio.

Em forte desabafo, a familiar destacou a dor da perda:
“Não tiraram a vida só de uma simples pessoa. Tiraram a vida de um ser humano cheio de luz, de vontade de viver, de vencer. Tiraram uma filha de uma mãe, uma irmã, uma pessoa muito importante para nós”, lamentou.

Outras pessoas próximas também cobraram responsabilização.
“Levaram [ela] a troco de nada. Eu aposto que aquele inútil está vendo minhas postagens no sofá da sua casa e rindo”, afirmou outra familiar.

“Quem a conhecia sabia do amor e cuidado que ela tinha com todos ao seu redor. Eu te amo. Eu quero Justiça, quero que esse maldito pague por tudo”, completou.

Segundo depoimento do suspeito, ele teria contratado Rhianna, que morava em Barreiras, a 90 km de Luís Eduardo Magalhães — para um programa sexual. Após o encontro, seguiriam para a casa dele.

Durante o trajeto, os dois discutiram. O homem alegou que a vítima o ameaçou de expor o programa e de fazer uma acusação de estupro. A polícia não informou se ele confessou ter cometido o crime sexual ou se essa seria apenas uma ameaça mencionada no relato.

O motorista também afirmou ter agido em legítima defesa ao interpretar que Rhianna pegaria algum objeto dentro da bolsa. Conforme a Polícia Civil, após matar a vítima com um mata-leão, ele levou o corpo até a delegacia e pediu atendimento. O Samu foi acionado, mas ela já estava morta.

A Polícia Civil informou que o homem foi liberado por ter se apresentado espontaneamente e confessado o ato. A investigação segue na Delegacia Territorial de Luís Eduardo Magalhães.

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) divulgou que acompanha as apurações e requisitará informações para adotar providências necessárias.