Em carta, governadores do Nordeste mantêm medidas preventivas do coronavírus

Os governadores dos nove estados do Nordeste divulgaram, na tarde desta quarta-feira (25), uma carta em que afirmam que vão manter as medidas preventivas já tomadas com relação ao novo coronavírus, mesmo após o presidente Jair Bolsonaro pedir o fim do isolamento social.

No documento, o Consórcio Nordeste, que é liderado pelo governador da Bahia, Rui Costa (PT), pontua que as determinações de prevenção continuarão válidas, de acordo com os registros informados pelos órgãos oficiais de saúde de cada região.

Os governadores ponderam ainda que é “um momento de guerra” contra uma doença altamente contagiosa e com milhares de vítimas fatais em todo o mundo, e que a decisão prioritária foi a de cuidar da vida das pessoas, não esquecendo da responsabilidade de administrar a economia dos estados.

Ainda no documento, os nove governadores se disseram frustrados com o posicionamento agressivo da presidência da república e disseram que ele “deveria exercer o seu papel de liderança e coalizão em nome do Brasil”. Confira o que diz a carta:

CARTA DOS GOVERNADORES DO NORDESTE

25 de março de 2020

Em conferência realizada na tarde desta quarta-feira, 25 de março de 2020, nós governadores do Nordeste pactuamos:

1 – O momento vivido pelo Brasil é gravíssimo. O Coronavírus é um adversário a ser vencido com muito trabalho, bom senso e equilibro;

2 – Vamos continuar adotando medidas baseadas no que afirma a ciência seguindo orientação de profissionais de saúde, capacitados para lidar com a realidade atual;

3 – Vamos manter as medidas preventivas gradualmente revistas de acordo com os registros informados pelos órgãos oficiais de saúde de cada região;

4 – É um momento de guerra contra uma doença altamente contagiosa e com milhares de vítimas fatais. A decisão prioritária e a de cuidar da vida das pessoas, não esquecendo da responsabilidade de administrar a economia dos estados. É um momento de união, de se esquecer diferenças políticas e partidárias. Acirramentos só farão prejudicar a gestão da crise;

5 – Entendemos que cabe ao Governo Federal ação urgente voltada aos trabalhadores informais e autônomos. Agressões e brigas não salvarão o País. O Brasil precisa de responsabilidade e serenidade para encontrar soluções equilibradas;

6 – Ao mesmo tempo, solicitamos a necessidade urgente de uma coordenação e cooperação nacional para proteger empregos e a sobrevivência dos mais pobres;

7 – Ficamos frustrados com o posicionamento agressivo da Presidência da República, que deveria exercer o seu papel de liderança e coalizão em nome do Brasil.

Assinam esta carta:

Rui Costa
Governador da Bahia

Renan Filho
Governador de Alagoas

Camilo Santana
Governador do Ceará

Flávio Dino
Governador do Maranhão

João Azevedo
Governador da Paraíba

Paulo Câmara
Governador de Pernambuco

Wellington Dias
Governador do Piauí

Fátima Bezerra
Governadora do Rio Grande do Norte

Belivaldo Chagas
Governador de Sergipe