Bandeira Vermelha em maio deixará sua conta de luz mais cara

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O bolso do brasileiro está sob novas ameaças. Não bastasse o aumento de preços dos alimentos, da gasolina, do gás de botijão, agora as contas de luz ficarão mais caras em maio. Afinal a Aneel acionou a bandeira vermelha 1 e cobrará uma taxa adicional de R$ 4,169 para cada 100 kWh consumidos.

Por que bandeira vermelha agora?

O baixo nível dos reservatórios hídricos e início da estação seca foram determinantes. Em abril, as contas de luz consideraram a bandeira amarela, com uma taxa de R$ 1,34 a mais a cada 100kWh. Já em maio, a taxa adicional será de R$ 4,169 para cada 100 kWh consumido.

Os reservatórios das principais usinas hidrelétricas do país já estão baixos. De fato, o recente período de chuvas foi o pior já registrado para o setor elétrico desde 1931. Assim, a perspectiva de deterioração com o início do período seco, levou a agência a sinalizar o “patamar desfavorável de produção” de eletricidade e a maior a necessidade de acionamento das termelétricas, que são mais caras.

A aplicação da bandeira vermelha nas contas de luz tem impacto sobre a inflação geral do país. Até março, o índice oficial acumulava alta de 6,10% em 12 meses – acima da meta de inflação para este ano, que é de 3,75%. Especialistas já projetam o aumento do IPCA de maio de 0,46% para 0,64%. Assim como, a projeção de inflação de 2021 salta de 4,9% para 5,1%.

O que aconteceu com os reservatórios e com as chuvas de março?

O nível dos reservatórios está muito baixo, mesmo com o término do período chuvoso. No final de abril de 2020, o reservatório do sistema interligado estava em 59,47% da capacidade, e no mesmo período de 2021, ele está em 44,81%.

Afinal, o Brasil passou por um período úmido no verão de 2020/2021 que acumulou poucas chuvas nas principais bacias brasileiras. São as bacias dos rios Paraná, Grande, Parnaíba e do Alto Tocantins. Agora o Brasil está entrando no período seco com níveis de reservatórios similares ao da última crise hídrica, que aconteceu entre 2014 e 2015.

No entanto, a operação do Sistema Interligado Nacional é muito mais robusta hoje em dia. Afinal conta com um leque de possibilidades maior para preservar os reservatórios. E dessa forma, temos uma baixa probabilidade de racionamento.

Finalmente, com as mudanças climáticas, há uma tendência geral de longo prazo para a América do Sul de que os episódios de chuva sejam cada vez mais concentrados em menos dias. Ou seja, mais eventos severos, e maior ocorrência de secas, com maior número de dias sem chuva.

As bandeiras suspensas em 2020 pioraram a situação

Além da mudança do regime de chuvas nos últimos 10 a 15 anos, há um outro fator de curto prazo que contribuiu para o baixo nível dos reservatórios.

Afinal, a Aneel suspendeu o acionamento das bandeiras tarifárias em 2020, deixando as contas sem sobretaxas, como uma forma de aliviar os gastos dos consumidores em meio à pandemia da covid-19. Assim, o operador buscou minimizar o acionamento das termelétricas, o que aumentou o uso das hidrelétricas.

Assim, o país passou o período chuvoso entre janeiro e março de 2021, já com a bandeira amarela acionada, quando o normal para essa época em que os reservatórios atingem sua capacidade máxima seria a bandeira verde. E agora, já em maio, apenas no início do período seco, o país pode entrar antes do que seria esperado na bandeira vermelha.

*DCI