Após mais de dois anos de investigações, a Polícia Federal (PF) concluiu, na última sexta-feira (1º), o inquérito sobre os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. De acordo com o relatório, os homicídios ocorreram em decorrência das atividades de fiscalização conduzidas por Pereira na região, focadas na preservação ambiental e na defesa dos direitos indígenas.

Pereira e Phillips foram mortos a tiros em 5 de junho de 2022, em Atalaia do Norte, no Amazonas, durante uma visita a comunidades próximas à Terra Indígena Vale do Javari, reconhecida por abrigar a maior concentração de povos isolados do mundo.
No documento, a PF manteve o indiciamento de nove pessoas, indicando que há provas suficientes para a acusação formal ao Ministério Público Federal (MPF). Caberá ao MPF decidir se oferece a denúncia à Justiça Federal ou se solicita o arquivamento do caso, caso considere as provas insuficientes. Entre os indiciados, está Ruben Dario da Silva Villar, identificado como mandante do crime, além de outros oito envolvidos na execução e ocultação dos corpos.
Dom Phillips, colaborador de jornais internacionais como The Guardian e The New York Times, estava na região para entrevistar lideranças indígenas e ribeirinhos para um livro-reportagem. Bruno Pereira, experiente indigenista de 41 anos, atuava na União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) e auxiliava projetos de proteção territorial, mesmo após seu afastamento da Funai.
A investigação concluiu que as atividades de Pereira contrariavam interesses de grupos locais, resultando em ameaças e culminando nos assassinatos. A PF segue monitorando ameaças contra indígenas da região, reiterando seu compromisso com a segurança no Vale do Javari e a proteção dos direitos das comunidades locais.



