Ex-ministro pede pix para despesas de Jair e Eduardo Bolsonaro

Aliados de Bolsonaro iniciam nova campanha de doações via Pix para cobrir gastos com advogados, saúde e viagens. Ex-presidente já usou parte dos R$ 17,2 milhões arrecadados em 2023.

O ex-ministro do Turismo Gilson Machado (PL) lançou uma nova campanha de arrecadação de doações via Pix para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta sexta-feira (16), em publicação feita nas redes sociais. Segundo Machado, os recursos arrecadados serão destinados ao pagamento de despesas jurídicas, médicas e com passagens aéreas do ex-mandatário, que enfrenta uma série de processos na Justiça, incluindo uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

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Na publicação, o ex-ministro divulgou o CPF de Bolsonaro como chave Pix e garantiu que o vídeo gravado não foi gerado por inteligência artificial. “Não é Jair Messias Bolsonaro quem está pedindo. […] O dinheiro não é para mim, muito menos para ele”, afirmou, reforçando que o apelo era genuíno e seu.

“Vocês não têm noção, minha gente, da nossa preocupação com as despesas do presidente Bolsonaro, que são centenas, de todas as naturezas, principalmente jurídicas, com passagens e também hospitalares”, declarou.

Na legenda do vídeo — que já ultrapassou 20 mil curtidas — Machado afirmou que apenas no último ano foram gastos aproximadamente R$ 8 milhões. Ele ainda aproveitou para comparar a iniciativa a supostos escândalos envolvendo adversários políticos. “Nossa índole é pedir, jamais colocar a mão no que é dos outros, como a esquerda fez com os aposentados”, disse, referindo-se à investigação da Polícia Federal que apura o desvio de até R$ 6,5 bilhões do INSS entre 2019 e 2024.

A campanha surge após a revelação, feita pelo próprio Bolsonaro na quarta-feira (14), de que parte dos R$ 17,2 milhões arrecadados em 2023 também foi usada para cobrir as despesas do filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos desde março. Eduardo alega perseguição política e cumpre, segundo o pai, um papel de interlocução internacional.

Sou eu quem está bancando as despesas dele agora. Se não fossem as doações via Pix, eu não teria como arcar com esses custos”, disse o ex-presidente. “Gostaria que ele disputasse o Senado em 2026, mas tudo depende dos rumos que o país vai tomar.”

A nova campanha de arrecadação reacende o debate sobre o uso dos recursos obtidos por meio do apoio popular, especialmente em um momento em que Bolsonaro enfrenta dificuldades jurídicas crescentes, está inelegível até 2030 e é réu por suposta tentativa de ruptura institucional após o resultado das eleições de 2022.