Correios avaliam empréstimo de R$ 20 bilhões para evitar dependência do Tesouro Nacional

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O Conselho de Administração dos Correios reúne-se nesta quarta-feira (15) para discutir a contratação de empréstimos com bancos públicos e privados, com aval do Tesouro Nacional, como estratégia para equilibrar as contas da estatal em 2025 e 2026. A proposta em análise prevê a captação de R$ 10 bilhões ainda este ano e mais R$ 10 bilhões no próximo, segundo informações divulgadas pela Folha de S. Paulo e confirmadas pela CNN.

A operação deve contar com recursos do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e instituições financeiras privadas, formando um pool de crédito com taxas de mercado e garantia direta do Tesouro.

Prejuízo crescente pressiona estatal

No primeiro semestre de 2024, os Correios registraram prejuízo de R$ 4,3 bilhões, mais que o triplo do resultado negativo do mesmo período de 2023, que foi de R$ 1,3 bilhão. A empresa enfrenta queda nas receitas e aumento contínuo das despesas, enquanto críticos das últimas gestões apontam morosidade na adoção de ajustes estruturais.

Mesmo com o custo elevado dos juros, integrantes da área econômica do governo consideram o empréstimo indispensável para evitar que a estatal seja classificada como empresa dependente do Tesouro. Esse cenário obrigaria a inclusão das despesas dos Correios no Orçamento Geral da União (OGU), impactando o resultado primário e comprometendo o arcabouço fiscal, já que a companhia possui gastos anuais próximos de R$ 20 bilhões.

Medidas recentes são consideradas insuficientes

Nos últimos meses, os Correios anunciaram ações como venda de imóveis, programa de demissão voluntária e o lançamento de um marketplace em parceria com a Infracommerce, mas especialistas avaliam que essas iniciativas ainda não são suficientes para reverter o rombo financeiro.

Em setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promoveu uma mudança no comando da estatal: o advogado Fabiano Silva, ligado ao grupo Prerrogativas, deu lugar ao economista Emmanoel Rondon, servidor de carreira do Banco do Brasil.

Empréstimo financiaria ajustes internos

Caso aprovado, o crédito será destinado para capitalização e custeio de medidas de reestruturação, incluindo demissões voluntárias, alterações no plano de saúde e repactuação de passivos atrasados.

A reunião do conselho será presidida por Sônia Faustino, secretária-executiva do Ministério das Comunicações, pasta à qual os Correios estão oficialmente vinculados.