Auxílio emergencial é reduzido e captação da poupança fica menor em outubro

 

Os depósitos em caderneta poupança superaram os saques em R$ 7 bilhões em outubro, menor valor desde a chegada do novo coronavírus ao Brasil e quase metade do registrado no mês anterior, de R$ 13,2 bilhões. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Banco Central, mostram que o resultado de outubro, no entanto, continua acima do registrado para o mês nos anos anteriores.

No mesmo mês de 2019, a captação líquida (diferença entre depósitos e saques) foi negativa em R$ 247 milhões -ou seja, os brasileiros tiraram mais recursos da poupança do que depositaram. No ápice da crise, em abril, a poupança bateu recorde, com R$ 30,4 bilhões. O resultado foi superado em maio, com R$ 37,2 bilhões, o maior da série histórica até agora, iniciada em janeiro de 1995.

Desde o início da crise sanitária, a caderneta tem registrado valores elevados em captação líquida, na comparação com o restante da série.

Benefícios do governo, como saque do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), e o auxílio emergencial, podem explicar o movimento de alta nos depósitos durante a pandemia, já que são pagos por meio de conta-poupança digitais da Caixa Econômica Federal.Em setembro, no entanto, a parcela do benefício pago pelo governo aos mais pobres foi reduzida de R$ 600 para R$ 300, o que fez os depósitos diminuírem. Outubro é o primeiro mês cheio depois da mudança.

Além disso, com a flexibilização do isolamento social e a reabertura dos comércios, as pessoas voltaram a consumir e, por isso, sacaram mais recursos da poupança, o que também contribuiu para a queda da captação líquida. Em outubro, foram depositados R$ 279 bilhões na caderneta, menos do que o registrado no mês anterior, de R$ 294 bilhões (o maior da série). Já os saques somaram R$ 272 bilhões.

Mesmo com a queda na captação líquida, o resultado foi positivo (com maior valor em depósitos que em saques). Por isso, o saldo permaneceu em crescimento e ficou acima de R$ 1 trilhão. O estoque total aplicado na modalidade alcançou a marca pela primeira vez na história em setembro.

A poupança rende a Taxa Referencial (TR), hoje zerada, mais 70% da Selic, que está em 2% ao ano. A regra prevê que, quando a taxa básica de juros estiver acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será 0,50% ao mês, mais TR. Caso a taxa Selic esteja menor ou igual a 8,5% ao ano, o investimento é remunerado a 70% da Selic, acrescida da TR.

Fonte: BN