
A dedicação em se promover um ambiente escolar cada vez mais inclusivo é uma das prioridades estabelecidas pela Secretaria Municipal de Educação de Dom Macedo Costa. Atualmente, em toda a rede municipal, são 19 casos de estudantes com necessidades de acompanhamento individualizado, e que são atendidos na Sala Multifuncional da Escola Edite Barros. Na sala de apoio, a equipe é composta por duas professoras especializadas para essa modalidade de ensino, além de uma psicóloga. As professoras Jovelina Piton e Lindalva Silva afirmam que o propósito do trabalho é fazer com que os estudantes desenvolvam autonomia para viver em sociedade.
Mas o trabalho de inclusão não se resume ao que é desenvolvido no espaço multifuncional. Neste ano, a prefeitura contratou mais três cuidadoras e uma orientadora pedagógica que acompanham estudantes com necessidades especiais na sala de aula. Os casos são diferenciados e atualmente há o acompanhamento de alunos com deficiência intelectual, deficiência múltipla e autismo, que é um tipo de transtorno global do desenvolvimento. A psicóloga Paloma Borges, que também faz parte da equipe da educação em nosso município, explica que o processo de inclusão se faz a partir de uma tríade que envolve aluno, família e professor. Por esse motivo são feitos encontros regulares com os educadores e com os pais, em que a comunidade escolar discute e se prepara para o acolhimento de estudantes que carecem de acompanhamento específico.

Inclusão e comunidade escolar
Maria Isabel Santos, mãe do pequeno Antônio Carlos, que cursa o 2º ano na Escola Edite Barros, já nota os avanços resultantes do trabalho desenvolvido com seu filho, que possui limitações físicas e de aprendizagem. “Ele já consegue ter mais equilíbrio, já reconhece as letras e já sabe montar alguns brinquedos”, destaca a mãe.
Assim como Maria Isabel, outras mães tem o acolhimento de seus filhos na Educação do município. É o caso da munícipe Cristiane Cardoso, que agora em 2017, passou a ter sua filha, Josiane Cardoso, que é autista, incluída na Escola Edite Barros. “Quando Josiane era criança, eu tentei por seis vezes incluir a minha filha na escola regular. Sempre falavam ‘aceito’, mas na prática era diferente”. Com o tempo, Cristiane chegou a desistir das tentativas. “Chegou um momento em que eu pensei: escola regular nunca mais!”, declarou. Depois de muitas lutas, Cristiane conseguiu colocar Josiane e seus outros dois filhos, também autistas, em um Centro de apoio pedagógico em Santo Antônio de Jesus.

Uma luz no fim do túnel
Mas o desejo de ter a filha em uma escola regular não havia desaparecido no coração dessa mãe. Foi quando, a partir de 2017, ela encontrou o apoio da Secretaria de Educação de Dom Macedo Costa para ter Josiane matriculada no Edite Barros. “Desde o início, o atual gestão, através da Secretaria de Educação providenciou o segundo professor, que juntamente com a professora da sala vem desenvolvendo um trabalho maravilhoso. Antes mesmo de minha filha chegar na escola foram feitas reuniões com as famílias (dos outros alunos), que juntamente com a secretária, direção e professores, explicaram tudo sobre o autismo. Então, foi feito um trabalho de inclusão em toda a escola”, conta a mãe que agora já se anima em matricular também seus outros dois filhos nos próximos anos.
Conforme a secretária de Educação, Élida Piton, o olhar especial para um ambiente escolar cada vez mais inclusivo é um dos temas geradores trabalhados por sua equipe. Uma amostra disso pôde ser vista no desfile de 7 de setembro. “Depois de todo um trabalho feito nas escolas, onde profissionais esclareceram as famílias sobre esse contexto, resolvemos dedicar uma ala no desfile para a Educação Inclusiva, porque a gente precisa levar à comunidade um esclarecimento em relação a esse tema”.
A questão da inclusão envolve todas as Unidades Escolares. “Quando a gente fala do processo de inclusão, pensamos na rede como um todo. Estamos planejando possibilidades de aprimorar ainda mais nosso trabalho para que esses alunos sejam acolhidos e assistidos com ainda mais qualidade e de uma forma adequada às suas especificidades”, ressalta a secretária.
A turma em que Josiane estuda conta uma psicopedagoga, a profissional Ana Cristina Barbosa que, juntamente com a professora Jéssica Magalhães, desenvolve metodologias que contemplem todos os estudantes, incluindo a aluna autista nesse contexto. Ana Cristina explica que, ao contrário do que se pensa, não são feitas atividades diferenciadas, nem é dada uma assistência voltada exclusivamente para a aluna Josiane, o que tornaria a sala de aula excludente, mas sim um trabalho com que toda a turma se adéqua às estratégias de aprendizagem da educação inclusiva. No final, todos aprendem juntos.
O resultado desse processo de inclusão já pode ser percebido pela família, é o que afirma Cristiane. “Hoje Josiane é percebida por toda escola e na sociedade. Nas ruas, as pessoas se aproximam, colegas a cumprimentam e apresentam Josiane a seus pais. É como se nós deixássemos de ser invisíveis”.
*Assessoria da prefeitura


