Governo de Rondônia ordena recolhimento de 43 livros e depois recua

A Secretaria de Educação de Rondônia distribuiu ontem (6) um memorando e uma lista de livros que deveriam ser recolhidos das escolas por incluírem o que foi definido como “conteúdos inadequados” a crianças e adolescente. Após questionamentos à medida, a pasta voltou atrás.

Segundo o Folha de São Paulo, a lista das obras censuradas tem 43 títulos, de autores consagrados como Euclides da Cunha, Ferreira Gullar, Nelson Rodrigues, Franz Kafka e Machado de Assis. Uma das obras foi “Macunaíma”, de Mário de Andrade. Obras recorrentemente exigidas em vestibulares.

À reportagem da Folha, o secretário de Educação do estado, Suamy Vivecananda, disse inicialmente que se tratava de ‘fake news’. No entanto, depois de ser confrontado com imagens do sistema da pasta, ele afirmou que não estava na secretaria ao longo da semana e que não tinha conhecimento da medida. O secretário garantiu ainda, que não haverá recolhimento de obras e vai apurar como a determinação teria saído de seu gabinete.

O governador de Rondônia, coronel Marcos Rocha, é filiado ao PSL, ex-partido do presidente Jair Bolsonaro. A expectativa é de que Rocha siga Bolsonaro em seu novo partido, o Aliança pelo Brasil. A Coordenação Regional de Educação da pasta encaminhou uma nova mensagem para os coordenadores para dizer que a “missão de recolhimento” dos livros foi “abortada” após a repercussão do caso.