Alunos correm risco de concluir ensino médio aprendendo 20% do que deveriam, informa pesquisa

Imagem: Divulgação/Clip Escola

Sem ações para minimizar o déficit de aprendizagem ou retornar ao ensino híbrido, estudantes do 3º ano do ensino médio deverão concluir esta etapa de ensino em 2021 sabendo 20% do esperado em português. Em matemática, poderão regredir.

Os dados são da pesquisa “Perda de Aprendizagem na Pandemia”, do Núcleo de Ciência Pela Gestão Educacional do Insper e Instituto Unibanco, divulgada nesta terça-feira (1°).

A perda de aprendizagem acumulada devido à pandemia já é estimada em 74% para quem está nesta etapa de ensino, tanto em português quanto em matemática. Em casos onde há engajamento maior dos alunos, a perda pode ser reduzida para 28% e 27%, respectivamente.
No ensino remoto, a pesquisa considerou que os estudantes aprendem cerca de 17% do que deveriam em matemática, se comparado às aulas presenciais. Em português, a aprendizagem é de 38%.

As projeções indicam perdas de 16 a 11 pontos em português e de 20 a 12 em matemática. Como é esperado que os estudantes avancem 15 pontos nesta disciplina, no pior cenário, poderá haver regressão de aprendizagem.
Os alunos que estão no terceiro ano do ensino médio enfrentam um período crítico durante a pandemia. Eles correm o risco de passar mais da metade do ciclo, de três anos, tendo aulas a distância. Em 2020, fizeram o segundo ano com aulas remotas. Em 2021, o esperado é que retornem ao ensino híbrido no último ano do ciclo, para minimizar as perdas.
Os dados da pesquisa apontam que:

Alunos que começaram o 3° ano do ensino médio em 2021 estão com cerca de 10 pontos a menos na proficiência em português e matemática, comparado ao que poderiam atingir se não tivesse o ensino remoto;

Caso o ensino remoto seja mantido, o cenário poderá ser pior. A pesquisa estima um aumento de 16 pontos a menos na proficiência em língua portuguesa e 20 pontos a menos em matemática;

Se houver maior engajamento e adoção de ensino híbrido no 2º semestre, com recuperação do aprendizado, as perdas poderiam ser reduzidas de 35% a 40%, ficando em 11 pontos em português e 12 em matemática.