APLB avalia que é necessário entender por que pais não querem mandar seus filhos para escola na pandemia

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A diretora da APLB Sindicato, Elza Melo, comentou neste sábado (24) pesquisa do Instituto Opnus, encomendada pelo BNews, apontando que pouco mais da metade dos entrevistados – 55% – são contrários a adoção de aulas semipresenciais neste momento da pandemia. Outos 45% se disseram favoráveis.

O levantamento – cuja margem de erro é de 3,5% – ouviu 811 pessoas com idade acima de 16 anos no último dia 23 de julho. O nível de confiança é de 95%.

Melo afirma que o sindicato também realizou pesquisas anteriores a respeito do tema, e que a maioria dos participantes se mostraram mais inclinados a continuar com as aulas remotas. Ela avalia ser importante entender por que há pais que não querem mandar seus filhos para a escola.

“É preciso que a secretaria da Educação, o Executivo Municipal, busque de todas as formas para ver de que forma vai tratar [a questão]”, opinou. O governo da Bahia definiu a próxima segunda-feira (26) como o dia de retorno às aulas presenciais para os alunos do ensino médio.

O ensino fundamental, por sua vez, só retornarão às atividades no dia 9 de agosto. Até lá, as aulas seguem acontecendo remotamente. Na última quinta-feira (22), o prefeito Bruno Reis (DEM) se reuniu com representantes da APLB, e se comprometeu a vacinar os trabalhadores da Educação Básica com a segunda dose da vacina contra a Covid-19  até a próxima quarta-feira (28).

O sindicato, que defende que a categoria retorne apenas a imunização completa, defende que o martelo só seja batido após a apresentação do mapeamento dos trabalhadores vacinados com as duas doses do imunizante. Assim, o retorno das atividades presenciais poderia ocorrrer mesmo no dia 9 ou ficar para 16 de agosto.

“Quando o governador do Estado impôs de forma autoritária a retomada das aulas na próxima segunda, 26, foi informado para nós que prefeitura iria acompanhar a posição do governador. Imediatamente a APLB se posicionou contra, tanto na rede municipal quanto estadual. Buscamos entendimento, uma reunião com prefeito de Salvador”, recorda Melo.

Estrutura

Ela conta que na ocasião, a categoria defendeu que é fundamental, para as condições de trabalho, que os gestores das escolas tenham condições de realizar uma semana de acolhimento e discussão pedagógica antes de receber os estudantes para atividades presenciais.

Melo destaca que a ocasião também é importante para avaliar as condições da estrutura escolar. “Tanto nós, professores, como os pais dos alunos veem que não há escolas que tenham condições de receber os alunos. Escolas com salas que não tem janela, não tem ventilação. Como você vai colocar crianças e professores em uma sala de aula que contraria protocolos de biossegurança?”, ponderou.

Melo acrescenta também que o espaço físico em algumas salas também inviabilizaria a aplicação de distanciamento adequado para conter o contágio pela Covid-19. A diretora da APLB conta que a prefeitura se comprometeu a voltar a se reunir com os trabalhadores da educação na próxima segunda-feira (24) para mostrar o mapeamento vacinal dos profissionais da Educação, e apresentar oficialmente a proposta de datas para retorno.

Ensino Estadual

O governo do Estado, por outro lado, decidiu manter a data de retorno para 26 de agosto. Na última sexta-feira (23), o secretário Estadual de Educação, Jerônimo Rodrigues (PCdoB), defendeu que as escolas estão “prontas” para voltar a receber estudantes dentro dos protocolos de segurança –  termômetro, álcool em gel, máscaras e distanciamento.

Ao longo desta semana, ao menos em duas ocasiões, o governador Rui Costa (PT) criticou publicamente o pleito dos profissionais da Educação de só voltar com as aulas presenciais após a categoria estar vacinada com as duas doses contra a Covid-19.

Na última segunda-feira (19), Rui defendeu que era “hora de voltar”, e argumentou que todas as categorias já haviam retomado suas atividades presenciais. “Não há qualquer outra categoria que não tenha retornado – seja do mundo privado ou do mundo público”, disse na ocasião.

Três dias depois, avaliou que os professores tiveram a “condição ímpar” de voltar a trabalhar somente após 100% da categoria ter sido vacinada com 1ª dose, 80% com a 2ª, e sugeriu que os profissionais estavam agindo com “egoísmo”.

“A gente sempre esteve, durante todo esse período, trabalhando exaustivamente – até muito mais do que presencialmente, pois aulas remotas não é algo fácil. Tanto em função de ficar o tempo todo na frente da tela, como pela responsabilidade e preocupação com os alunos, que não têm as ferramentas tecnológicas para acompanhar as aulas”, contou Melo.