“Universidade é para poucos” e “Alunos com deficiência atrapalham”, diz Ministro da Educação

Foto: Agência Brasil

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, causou alvoroço nas redes sociais na tarde desta terça-feira (10), graças a uma participação no programa Novo Sem Censura, da TV Brasil, exibido no dia anterior. Ao longo de mais de 50 minutos de entrevista, Ribeiro lançou uma série de “pérolas” aos espectadores, mostrando que suas convicções ideológicas estão, muitas vezes, acima das políticas públicas.

Primeiro, por volta dos 22 minutos [assista ao vídeo no final], Ribeiro criticou a política nacional de educação inclusive. Ele afirmou que, por muito tempo, o País não tinha política alguma para cuidar dos estudantes especiais. Depois, criou um programa que “caiu no outro extremo, o inclusivismo”.

“O que é inclusivismo? A criança com deficiência é colocada dentro de uma sala de alunos sem deficiência. Ela não aprendia, ela ‘atrapalhava’ – entre aspas, essa palavra eu falo com muito cuidado – ela atrapalhava o aprendizado dos outros, porque a professora não tinha equipe, não tinha conhecimento para dar a ela atenção especial”, disparou o ministro.

Ribeiro disse que, ao assumir a Pasta, fez mudanças para “tirar do Estado, e dar aos pais”, a opção de matricular os alunos com deficiência em escolas regulares. Para ele, o ideal seriam escolas preparadas especificamente para esta finalidade. “Para você ter ideia, existem crianças com grau de autismo que elas se jogam na parede, então as salas são almofadadas, têm recursos. Não estamos nos omitindo, como Estado, a estender a mão”, garantiu.

UNIVERSIDADE PARA POUCOS

Em um segundo momento de polêmica, Ribeiro disse que o ensino superior no Brasil deveria ser para poucos, porque é pouco “útil” para a sociedade. Na visão dele, a formação técnica é a “vedete” que merece atenção do governo.

“Tem muito engenheiro, advogado, dirigindo uber porque não consegue a colocação devida. Mas se ele fosse técnico em informática, ele estaria empregado porque há uma demanda muito grande. O futuro é nos institutos federais. Como na Alemanha, onde são poucos os que fazem universidade. A universidade, na verdade, deveria ser para poucos, nesse sentido de ser útil para a sociedade”, comentou.

GUERRA CULTURAL

Questionado sobre quais seriam seus maiores sonhos enquanto ministro, Ribeiro respondeu que quer ver os profissionais da Educação devidamente valorizados, e que as universidades deixem de “proselitismo” de “esquerda” e sejam um “campo mais neutro”. “Isso é uma coisa que me aflige muito. Porque o menino sai de casa, depois ele volta, sobretudo [quando estudou]em escolas públicas, com a cabeça toda virada… é impressionante.”

ENEM

Sobre o Enem, o ministro da Educação disse que a gratuidade do exame desmotiva parte da sociedade a participar.

“Eu fico tranquilo com relação ao ENEM porque o ENEM é uma prova muito democrática. Mais de 50% do ENEM é gratuito para quem não pode pagar. Eu não estou com número exato, mas este ano creio que 54% das inscrições foram graciosas. Não é para todo mundo, a prova é caríssima. Ano passado gastamos 700 milhões de reais com a prova. (…) Tem muita gente que, pela gratuidade, nem comparece.”

*Jornal GGN