Estado natal sacramentou vitória de Biden

A vitória de Joe Biden já estava desenhada e, talvez, num cenário sem tantas ameaças judiciais por parte de seu adversário Donald Trump e de tantos votos pelos correios provocados pelo cuidado em decorrência da pandemia, já teria sido declarada anteriormente.

No entanto, à medida que a distância entre o democrata e o republicano só crescia no estado da Pensilvânia, terra natal de Biden, ficou claro que ele venceria por lá e conquistaria os delegados necessários para pavimentar seu caminho à Casa Branca.

Com os 20 delegados da Pensilvânia ultrapassou o número ‘mágico’ de 270, indo a 273 dos 538. O martelo foi batido por emissoras como Fox News e CNN, além do jornais The New York Times e Washington Post, sendo seguidos pelos outros meios. Além da Pensilvânia, o estado de Nevada também foi cravado para Biden, fazendo com que ele chegasse a 279 delegados no sábado (7).

Ainda restam os estados do Alasca (3 delegados), Arizona (11), Carolina do Norte (15) e Geórgia (16) a serem definidos, sendo que Biden deve levar no Arizona e na Geórgia e Trump, que conta com 213 ou 214 delegados a depender do meio de comunicação, o Alasca e a Carolina do Norte.

Oscilação
Com o grande fluxo de votos este ano enviados pelos correios, a contagem das cédulas demorou mais do que o normal – e alguns estados ainda não encerraram a apuração. O Alasca será o último estado a definir os votos. As cédulas por correio ou depositadas nas urnas entre 29 de outubro e 3 de novembro só serão contadas na semana que vem.

Trump teve um início forte, contrariando pesquisas eleitorais que mostravam uma vitória consideravelmente tranquila para Biden. Mas no decorrer da noite após a eleição presencial, o pêndulo começou a pender para o democrata, com grande força dos votos enviados por carta. Até a manhã da última quinta-feira, Biden havia conquistado 253 votos no colégio eleitoral e Trump, 214. No sistema de votação indireta dos EUA, cada estado tem um número de votos no Colégio Eleitoral mais ou menos proporcional ao tamanho de sua população, e para vencer a disputa presidencial é preciso somar pelo menos 270 votos. A expectativa cresceu para a reta final, com Biden como favorito.

Apesar de Biden já ser declarado presidente pelos meios de comunicação, o resultado final, no entanto, só será oficializado com as assinaturas dos delegados eleitorais em 14 de dezembro, ou demorar muito mais, caso as investidas de Trump na Justiça sejam acolhidas. Em 2000, na disputa entre George W. Bush e Al Gore, a Suprema Corte foi quem deu o veredito final, 37 dias após a realização da eleição e confirmando a vitória de Bush.

Há ainda a possibilidade dos delegados eleitorais não seguirem a vontade popular, mas isso é bem raro e nunca mudou o resultado final de uma eleição. Como a projeção aponta para uma vitória de Biden por 306 a 232, uma vitória sem poucas brechas de ser contestada, seria necessário que muitos delegados fossem ‘infiéis’, uma possibilidade pra lá de remota.

Virada
Na Pensilvânia, estado natal de Biden, a chamada onda azul foi forte. Ele chegou a estar atrás de Trump por mais de 750 mil votos. No entanto, com os votos das maiores cidades e das zonas suburbanas, Biden foi virando aos poucos e, na manhã da sexta-feira (6), passou o atual presidente.

No final da noite de sexta, a rede CNN anunciou que se a vantagem de Biden chegasse aos 35 mil votos, não haveria mais ponto de retorno, como, de fato, aconteceu na manhã de sábado. A distância só cresceu e já existe a possibilidade não haver nem recontagem de votos. A obrigatoriedade é para se a margem foi de 0,5% ou menos e até a noite de ontem, com 98% das urnas apuradas, estava em exatamente isso.

Na Geórgia, com diferença de cerca de 8 mil votos ou 0,1% e onde Biden conseguiu uma virada no final, haverá recontagem, que deverá ser iniciada no dia 1º de dezembro. Em Nevada, a diferença estava em 26 mil votos, ou 2%. Mas o estado permite recontagem caso o candidato que a pedir arque com os custos da tarefa. Em Wisconsin, com diferença de 0,6% para Biden (20 mil votos) a recontagem também irá acontecer, já que a margem de diferença ficou em menos de 1%.

Vale lembrar que no confuso sistema eleitoral americano, não há um órgão centralizador do processo de forma nacional, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no Brasil, que recebe os dados estaduais e os divulga. Assim, cabe aos meios de comunicação, com contas de votos restantes e tendências matemáticas, cravar os resultados.