Dólar atinge R$ 6 em meio à escalada da guerra tarifária entre EUA e China

Sob influência externa, moeda norte-americana chega ao maior valor desde janeiro, pressionada por tarifas elevadas sobre produtos chineses.

O dólar voltou a ultrapassar a marca dos R$6,00 nesta semana, impulsionado pela guerra das tarifas comerciais entre Estados Unidos e China. A moeda encerrou o dia em alta de 1,49%, cotada a R$5,9985, no maior patamar de fechamento desde 21 de janeiro, quando alcançou R$6,0313.

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Na B3, o dólar futuro para maio, contrato mais negociado no Brasil, fechou em R$6,0335 às 17h27, com alta de 1,57%.

O movimento foi reflexo direto do anúncio da Casa Branca de impor uma tarifa de 104% sobre produtos chineses, em retaliação à manutenção da taxa de 34% pela China sobre mercadorias dos EUA. A medida, que passa a valer nesta quarta-feira, reacendeu tensões nos mercados internacionais.

Durante o dia, a moeda chegou a recuar, atingindo a mínima de R$5,8607 às 9h09, mas logo retomou a alta, chegando à máxima de R$6,0060 às 16h47 — uma oscilação de R$0,15, equivalente a 2,48%.

Especialistas apontam que a forte ligação comercial entre o Brasil e a China amplia os impactos da crise no cenário local. “O Brasil tem muitos negócios com a China. Quando acontece algum problema por lá, isso se reflete aqui”, explicou Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora.

Além disso, o índice VIX — conhecido como o “índice do medo” de Wall Street — saltou para mais de 60 pontos no início da semana, refletindo a alta volatilidade e o clima de incerteza nos mercados.

“Quando há movimentos de volatilidade mais elevados, isso significa que o mercado está mais às escuras”, avaliou Gabriel Redivo, sócio e diretor de gestão da Aware Investments.

Apesar de ter encerrado o pregão abaixo dos R$6,00, analistas apontam que o patamar ainda serve como importante resistência técnica. No mês de abril, o dólar já acumula alta de 5,11%.

No cenário internacional, o dólar também operava em alta frente a moedas de países exportadores de commodities, mas recuava frente às moedas fortes. Às 17h24, o índice do dólar caía 0,36%, a 103,060 pontos.

O dólar em alta pressiona o preço dos alimentos, primeiro, porque parte dos ingredientes de produtos básicos da nutrição nacional são negociados em dólar. O maior exemplo disso é o trigo. O Brasil precisa importar trigo para produzir farinha, pães e massas. Se o dólar sobe, a tendência é que esses produtos fiquem mais caros.

Além disso, o dólar em alta faz com que empresários do setor agropecuário brasileiro foque suas vendas na exportação. O resultado disso é que faltam produtos no mercado interno, o que faz subir os preços dos alimentos por aqui.