Após Musk sair do governo Trump, bilionário e presidente trocam insultos e ameaças

Mercado reagiu com queda bilionária nas ações da Tesla de Elon Musk e da empresa de tecnologia de Donald Trump.

Uma semana após deixar o governo dos Estados Unidos, Elon Musk agora é ex-aliado do presidente Donald Trump. O homem mais poderoso do planeta e o homem mais rico do mundo haviam formado uma aliança desde o início do mandato, em janeiro de 2025. A ruptura veio à tona após Musk criticar a nova lei orçamentária proposta por Trump e aprovada pelo Congresso.

Foto: Jornal Nacional / TV Globo

Durante a coletiva de despedida, na sexta-feira (30), os dois ainda trocavam elogios.

“Fico honrado de estar com Elon, e ele não está realmente indo embora, vai ir e voltar”, afirmou o presidente.

A parceria entre Trump e Musk foi uma das marcas do início da nova gestão. O bilionário, fundador da Tesla e da SpaceX, chegou a distribuir cheques de US$ 1 milhão de dólares para eleitores em estados-chave durante a campanha, participou de eventos na Casa Branca e teve apoio direto do presidente na promoção de seus produtos.

O cenário mudou há nove dias, quando Musk criticou duramente o projeto de orçamento nas redes sociais:

“Sinto muito, mas não aguento mais. Este projeto de lei de gastos do Congresso, enorme, ultrajante, é uma abominação repugnante (…). Isso aumentará o já gigantesco déficit orçamentário e sobrecarregará os cidadãos americanos”, escreveu.

Nesta quinta-feira (05), no Salão Oval, Trump respondeu:

“Ele conhecia este projeto de lei melhor do que quase qualquer pessoa aqui e não tinha problema algum”, disse o presidente, demonstrando decepção com o ex-aliado.

O confronto escalou rapidamente. Musk afirmou em rede social:

“Sem mim, Trump teria perdido a eleição”.

Trump rebateu com ameaça de cortar contratos:

“A maneira mais fácil de economizar bilhões e bilhões de dólares em nosso orçamento é encerrar os contratos governamentais com Elon Musk”, afirmou, referindo-se aos acordos entre a NASA e a SpaceX.

Musk, por sua vez, disse que sua empresa começará a cancelar o uso público dos foguetes e alertou para uma possível recessão provocada pelas tarifas de Trump. Musk também compartilhou, sem apresentar provas, postagens que relacionam Trump ao milionário Jeffrey Epstein, envolvido em crimes sexuais e morto em 2019.

A repercussão dos ataques teve impacto imediato no mercado. As ações da Tesla fecharam em queda de 14%, representando uma perda de US$ 150 bilhões em valor de mercado. Já os papéis da empresa de tecnologia vinculada a Trump recuaram 8%.