Venezuela diz ter desmantelado célula criminosa que planejava atacar navio de guerra dos EUA

Governo de Nicolás Maduro acusa CIA de financiar operação de “bandeira falsa” em Trinidad e Tobago

Foto: Kremlin.ru/Wikimedia Commons

O governo da Venezuela afirmou ter desmantelado uma célula criminosa que planejava atacar o contratorpedeiro USS Gravely, da Marinha dos Estados Unidos, ancorado em Trinidad e Tobago. Segundo as autoridades de Caracas, o grupo seria financiado pela CIA e teria como objetivo culpar a Venezuela pelo atentado, criando um pretexto para uma intervenção militar americana.

De acordo com o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, quatro pessoas foram presas durante a operação que teria desarticulado o suposto plano. O governo classificou a ação como uma operação de “bandeira falsa”.

O chanceler Yván Gil disse ter comunicado oficialmente o governo trinitário sobre o caso. “Informei com claridade ao governo de Trinidad e Tobago sobre a operação de bandeira falsa dirigida pela CIA: atacar um navio militar estadounidense parado na ilha e culpar a Venezuela”, declarou.

A denúncia surge em meio ao aumento da tensão entre Venezuela e Estados Unidos. No mês passado, o presidente americano Donald Trump confirmou ter autorizado operações secretas da CIA na América do Sul, mencionando planos para expandir ações militares na região.

O USS Gravely, equipado com mísseis Tomahawk, está ancorado em Trinidad e Tobago ao lado do porta-aviões Gerald R. Ford — o que representa a maior presença militar dos EUA no Caribe desde 1989.

As autoridades venezuelanas não apresentaram provas concretas sobre o envolvimento da CIA nem divulgaram a identidade dos detidos. Já a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, rejeitou as acusações, afirmando à AFP que não aceitará “chantagem” e destacando: “Nosso futuro não depende da Venezuela e nunca dependeu”.

O governo trinitário disse que a presença do navio americano faz parte de ações para combater o crime transnacional e fortalecer a cooperação em segurança, ressaltando que mantém relações amistosas com o povo venezuelano.