
A Itália deu um passo inédito no combate ao feminicídio ao aprovar, por unanimidade, uma lei que estabelece prisão perpétua para autores desse tipo de crime. A medida, aprovada pela Câmara de Deputados, ainda aguarda sanção presidencial, mas já é considerada um marco na política de enfrentamento à violência contra mulheres no país.
O avanço ocorre em um momento de crescente preocupação internacional com a escalada de casos de violência de gênero. No Brasil, episódios recentes evidenciam a urgência por mudanças. Em São Paulo, Tainara teve as duas pernas amputadas após ser brutalmente atacada por Douglas Alves da Silva e segue hospitalizada. Já Evelyn levou seis tiros de Bruno Lopes Barreto depois de recusar retomar o relacionamento; ela também permanece em estado grave.
A realidade brasileira é crítica: quatro mulheres são vítimas de feminicídio por dia, segundo dados oficiais. Mesmo diante da gravidade dos casos, penas máximas raramente são cumpridas integralmente — muitas vezes reduzidas por fatores como bom comportamento ou participação em atividades educativas dentro das prisões.
Enquanto isso, países europeus têm adotado medidas mais rígidas. Além do endurecimento das punições para feminicidas, a nova legislação italiana amplia penas para crimes como perseguição e pornografia de vingança. A iniciativa reforça o contraste entre a política criminal da Itália e os números brasileiros: a taxa de feminicídios no Brasil é 48 vezes maior do que a do Reino Unido.
Para especialistas, a legislação italiana pode servir de modelo para reformas que fortaleçam a proteção às mulheres no Brasil, especialmente diante do aumento das agressões e da reincidência de casos graves.


