
O presidente Lula (PT) ligou às 11h de segunda-feira (26) para a Casa Branca, nos EUA, e conversou por 50 minutos com o presidente americano Donald Trump sobre a relação bilateral, temas da agenda global e a situação na Venezuela. A previsão também é de que o presidente Lula visite Washington nos próximos meses.
“No curso da conversa, Lula e Trump trocaram impressões sobre a situação na Venezuela. O presidente brasileiro ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano”, diz a nota.
Esta foi a primeira conversa entre Lula e Trump desde a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, no início deste mês, que resultou na retirada de Nicolás Maduro do poder. O dirigente venezuelano está detido em território americano desde o ataque.
Nos últimos dias, Lula fez declarações públicas criticando a ação. Na sexta-feira (23), classificou o episódio como “falta de respeito” e afirmou que a América Latina não vai abaixar a cabeça para ninguém. O presidente também declarou que o mundo vive um momento “muito crítico” do ponto de vista político e que a Carta das Nações Unidas (ONU) estaria sendo “rasgada”, com a prevalência da chamada “lei do mais forte” nas relações internacionais.
Segundo auxiliares, a expectativa é que Lula aproveite o atual cenário internacional para reforçar o pedido de reforma do Conselho de Segurança da ONU, uma pauta defendida por ele desde o primeiro mandato, em 2002.
Lula tem viagens previstas para Índia e Coreia do Sul, em fevereiro. Após essas agendas, os governos brasileiro e americano devem definir a data da visita a Washington.
Conselho da Paz
Ainda segundo o Planalto, Trump convidou o Brasil para integrar o Conselho da Paz, criado pelo presidente americano. Lula não confirmou a adesão durante a conversa.
Ao comentar a proposta, o presidente brasileiro sugeriu que o órgão se restrinja à questão humanitária e à situação da Faixa de Gaza, além de prever um assento para a Palestina nos debates.
De acordo com fontes da diplomacia ouvidas pela TV Globo, o Brasil não tem pressa para responder ao convite. A tendência é que o governo encaminhe pedidos de esclarecimentos técnicos sobre o estatuto do conselho antes de tomar uma decisão.
A avaliação é de que o Brasil não deve aderir a um órgão criado com presidência fixa dos Estados Unidos e apoio explícito a apenas um dos lados do conflito, o que gera preocupação no Itamaraty.
Durante a conversa, Lula voltou a defender uma reforma ampla da ONU, com a ampliação do número de membros permanentes do Conselho de Segurança.
Outros temas
Lula e Trump também trocaram informações sobre a situação econômica de Brasil e Estados Unidos e avaliaram que há boas perspectivas para as duas economias. Segundo o Planalto, Trump afirmou que o crescimento dos dois países é positivo para o conjunto das Américas.
Os presidentes destacaram ainda o relacionamento recente entre os governos, que resultou na retirada de parte das tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
Lula manifestou interesse em ampliar a cooperação nas áreas de combate à lavagem de dinheiro, tráfico de armas, congelamento de ativos de grupos criminosos e intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A proposta, de acordo com o governo brasileiro, foi bem recebida por Trump.



