Deputada destina emenda de R$ 250 mil ao próprio advogado

Deputada destina emenda de R$ 250 mil ao próprio advogado
Foto: reprodução

Bastião da moralidade, a deputada estadual de Santa Catarina Ana Caroline Campagnolo (PSL) destinou R$ 249,8 mil em emenda parlamentar para uma empresa cujo presidente é amigo e advogado dela. A parlamentar faz questão de dizer publicamente, no entanto, que o advogado a defende “sem nada cobrar”.

O montante foi repassado em dezembro do ano passado para a Fundação Catarinense de Hipismo (FCH), presidida pelo advogado e empresário Cláudio Gastão da Rosa Filho, também conhecido como Gastãozinho.

Gastão representa Campagnolo em uma série de ações nos tribunais do país. Defendeu a deputada estadual, por exemplo, em uma ação que moveu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a ex-orientadora de mestrado dela, a historiadora e professora Marlene de Fáveri, que acusa a parlamentar de crime contra a honra devido a uma postagem envolvendo a Escola Sem Partido e a chamada “ideologia de gênero”. Campagnolo é presbiteriana e se diz conservadora e “anti-feminista”.

Gastão é um famoso advogado de Santa Catarina. Ele já defendeu o finado professor de filosofia e escritor Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo; a ex-militante Sara Fernanda Giromini, a Sara Winter; e o assaltante de bancos Papagaio.

Ele ganhou projeção nacional sobretudo ao defender o empresário André de Camargo Aranha, que foi inocentado da acusação de estupro de influenciadora Mariana Ferrer. Durante uma audiência, revelada pelo site The Intercept Brasil, Gastão disse à Ferrer que “jamais teria uma filha do nível” dela. “Só aparece essa sua carinha chorando. Só falta uma auréola na cabeça. Não adianta vir com esse teu choro dissimulado, falso, e essa lágrima de crocodilo”, atacou o advogado do empresário.

Nas redes sociais, Campagnolo disse que Gastão advoga de graça para ela. “Tamanha é a sua generosidade que, além de me representar em todos os processos sem nada cobrar, ainda ofereceu um passeio maravilhoso”, escreveu Campagnolo, em 13 de março do ano passado, após a ação movida sobre a professora Marlene de Fáveri.

Fonte: Metrópoles