Malafaia começou na política com Brizola, apoiou Lula e agora aliado de Bolsonaro

Pastor já esteve ao lado de Leonel Brizola e Lula antes de se consolidar como aliado de Jair Bolsonaro e alvo de inquérito no STF.

Foto: Reprodução/Vídeo/11-10-2002

O pastor Silas Malafaia, um dos principais nomes da direita bolsonarista, já apoiou candidatos da esquerda antes de se consolidar como aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em 1989, ainda jovem e em ascensão no meio evangélico, participou do comitê de apoio ao trabalhista Leonel Brizola. Após a derrota do gaúcho no primeiro turno, seguiu na contramão da maioria dos líderes evangélicos e endossou a candidatura de Lula (PT).

Na época, Lula já enfrentava fake news de que fecharia igrejas evangélicas para agradar setores católicos ligados à Teologia da Libertação. Enquanto o bispo Edir Macedo, da Universal, incentivava fiéis a “collorir” no segundo turno, Malafaia manteve apoio ao petista.

Em 2002, repetiu a aliança com Lula após seu candidato preferido, o presbiteriano Anthony Garotinho (PSB), não avançar para o segundo turno. Malafaia chegou a aparecer na propaganda eleitoral do PT contra José Serra (PSDB). “Jesus não tem título de eleitor aqui no Brasil”, dizia em discursos antigos, ao rejeitar a mistura entre igreja e política.

O rompimento definitivo com o PT ocorreu antes do fim do segundo mandato de Lula. Malafaia afirma que se arrependeu do apoio e lembra dos alertas do pai, oficial da Marinha e também pastor: “Ele falava assim pra mim: ‘Você está enganado, eles não se desvinculam de suas ideologias’.”

Daí em diante, aproximou-se de Jair Bolsonaro, então deputado federal do chamado baixo clero, com quem se alinhou em pautas conservadoras, como o projeto que buscava criminalizar a homofobia. Foi Malafaia quem celebrou o casamento de Bolsonaro com Michelle.

Atualmente, o pastor é investigado no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura tentativa de golpe de Estado. No último dia 20, Malafaia teve o celular apreendido pela Polícia Federal no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Ele está proibido de deixar o país e de manter contato com outros investigados, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, a quem costuma se referir como “ditador da toga”.