Movimento de mulheres de SAJ e organizações sociais da Bahia emitem nota de repudio após idosa ser agredida; confira

O movimento de mulheres, e as organizações sociais de Santo Antônio de Jesus e da Bahia emitiram nota de repúdio uma senhora de 67 anos ser agredida.  Dona Zuquinha foi brutalmente espancada pelo genro sofrendo fraturas, principalmente na região do rosto e permanece internada na UTI do Hospital Regional.

Confira nota na íntegra:

O movimento de mulheres, e as organizações sociais de Santo Antônio de Jesus e da Bahia – vem a público manifestar seu REPÚDIO de forma veemente a violência doméstica sofrida por Dona Zuquinha de 67 anos, na última sexta feira, dia 15/05 de 2020. Dona Zuquinha, como é carinhosamente chamada, mesmo idosa e com problemas de saúde por consequências de um AVC, foi brutalmente espancada em sua residência, cujo suspeito de cometer o crime é o seu próprio genro.
Reconhecemos o ocorrido como ato bárbaro que traduz as tragédias que se anunciam no cotidiano de mulheres atormentadas pelo fantasma cíclico da violência. Violência diária, silenciosa, silenciada, mascarada pelo estado e “invisível” aos olhos da Sociedade.
Sabemos que essa violência tem raízes históricas: o machismo estrutural, naturalizado nos discursos e brincadeiras diárias, aclamado e reproduzido por todos aqueles que se beneficiam dessa estrutura de manutenção de poder e diferenciação entre entre gêneros.
O fim da cultura de violência contra nós mulheres e a nossa emancipação são pressupostos para a construção de uma sociedade mais justa, não deixaremos QUE CALEM NOSSA VOZ, que tirem as nossas vidas e que mais uma vez nos imobilizem e invisibilizem ainda mais.
É preciso salientar que é histórico o problema da violência doméstica no município de Santo Antônio de Jesus, uma vez que o mesmo tem apresentado, anualmente, ALTOS ÍNDICES DE VIOLÊNCIA contra a mulher, considerado, até mesmo no território do recôncavo baiano, um dos municípios com maior taxa de violência, inclusive, feminicídio.
Um levantamento realizado em 2016 pelo Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres – CMDM identificou que, nos últimos 3 anos, 12 mulheres foram vítimas de feminicídio no município. Estes dados atualizados já somam 13 MULHERES. A última vitimada foi a comerciante Maria Damiana dos Santos, de 57 anos, morta a marretadas pelo marido e enterrada no fundo do seu próprio estabelecimento comercial, o corpo foi encontrado no dia 13 de setembro do ano de 2019.
Diante desta trágica realidade, REPUDIAMOS A NEGLIGÊNCIA E O DESCASO do poder público municipal no processo de implementação de políticas especializadas de atendimento às mulheres em situação de violência no município de Santo Antônio de Jesus. Evidências da secundarização da pasta por parte da gestão municipal está explícita quando observada a inexistência de uma rede especializada de atenção e assistência às mulheres em situação de violência.
O que se dispõe, na realidade, é tão somente de instituições públicas que tem, no âmbito de suas competências de atuação, a responsabilidade de também atenderem a demanda de violência doméstica, a exemplo do Centro Especializado de Referência de Assistência Social – CREAS e a Defensoria Pública-DPE, o que não tem sido suficiente.
Vale salientar que, no ano de 2016, o município aderiu AO PACTO NACIONAL PELO ENFRENTAMENTO à Violência Contra as Mulheres, o qual precisa urgentemente ser implementado, pois o documento em seu objetivo geral propõe que o enfrentamento a violência contra a mulher inclua as dimensões da prevenção, assistência, combate e garantia de direitos previstos na Política Nacional de Enfrentamento à violência contra as mulheres. Além disso, o eixo II do referido documento propõe a ampliação e fortalecimento da rede de “Serviços para Mulheres em Situação de Violência”.
Não podemos deixar de mencionar que, em 2017, o Conselho da Mulher encaminhou para câmara de vereadores, uma solicitação de orçamento de aproximadamente R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) para a inclusão no Plano Plurianual – PPA 2018/2021, destinado a implantação do Centro de Referência de Atendimento à mulher-CRAM, cuja inclusão foi feita através da Emenda Aditiva 01/2017, de autoria do Vereador Antônio Nogueira Neto ao Projeto de Lei nº 27/2017, sendo aprovado por unanimidade. Contudo, até o presente momento, o referido equipamento não foi implantado pelo município.
Diante do exposto, reitera-se o contínuo esforço do movimento de mulheres e das organizações sociais no combate a qualquer forma de discriminação e violência contra a mulher nas suas mais diferentes representações e exigimos, imediatamente a priorização do orçamento por parte do poder público, para a implementação de políticas especializadas de atendimento às mulheres em situação de violência em Santo Antônio de Jesus.
Seguiremos em marcha até que todas nós sejamos livres!
Somos todas Dona ZUQUINHA!!

Anteciosamente,

Conselho muncipal dos Direitos das mulheres- Santo Antonio de Jesus.
Movimento mulheres SAJ e democracia- Santo Anotnio de Jesus
Coletivo de Mulheres Negras Luiza Bairros- Santo Anotnio de Jesus.
Movimento Nossa Voz- Santo Antônio de Jesus.
Coletivo Mulheres em Movimento- SAJ.
Coletivo Força B- SAJ.
Rede de Mulheres Negras da Bahia
Fórum Marielles- Bahia
Rede de Mulheres de Terreiro- Bahia
Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual da Bahia
Àgbará Dùdú: Grupo de Estudantes Negros da Juventude Manifesta- Bahia
Diretório Central dos Estudantes da Universidade Estadual da Bahia.
Federação do Movimento Estudantil de História- Nacional
Coletivo Afrodiaspórico- IPIAU
Coletivo Feminista Marias- Salvador
Abayomi Organização de Mulheres Negras-Salvador
Coletivo de Mulheres Negras Ayomidê Yalodê-Salvador
Associação de Mulheres Koxerê-Salvador
Grupo de Estudos Marxistas-GERMAX- Caetité
Núcleo de mulheres Axé Eyin- Caetité