
A morte de um homem, na tarde desta terça-feira (25), no Campo do Botafogo, em Santo Antônio de Jesus, após uma crise epilética, causou dúvidas a respeito da doença. Em entrevista ao Programa Levante a Voz, o médico neurologista, Dr. Agenor Afonso da Silva Filho, falou sobre o assunto e deu uma breve explicação da patologia.
Segundo Dr. Agenor, a epilepsia é uma condição neurológica aguda, caracterizada por uma disfunção na atividade elétrica cerebral, cujas manifestações variam de acordo com a região do cérebro. Para simplificar, podemos dizer que a epilepsia é uma disfunção no cérebro que leva a crises.
“As crises epiléticas podem ser localizadas ou generalizadas. Nas crises localizadas, apenas uma parte do cérebro é observada, e o indivíduo pode apresentar movimentos involuntários em uma perna ou braço, sem perder a consciência. Já nas crises generalizadas, toda a atividade cerebral está comprometida, afetando ambos os lados do cérebro. Isso pode levar à perda de consciência, quedas e até mesmo riscos de acidentes graves”, explica.
A forma mais conhecida de crise é a tônico-clônica generalizada, em que a pessoa apresenta movimentos intensos, produção excessiva de saliva e corrida o risco de morder a língua. No entanto, é um mito a ideia de que alguém pode sufocar ao morder a língua durante uma crise.
“A epilepsia pode ocorrer desde a infância até a fase adulta e idosa, e suas causas podem variar. Alguns casos são chamados de idiopáticos, em que a pessoa já nasce com predisposição à condição, sem a necessidade de uma lesão cerebral prevalente. No entanto, outras condições médicas, como tumores, derrames, tolerantes e traumas cranianos, podem gerar crises epiléticas”, fala.
Sobre o tratamento, é importante consultar um médico especialista, como um neurologista, para receber o diagnóstico correto. Existem diversos medicamentos anticonvulsivantes disponíveis, e o tratamento é individualizado de acordo com a causa da epilepsia e outras condições de saúde do paciente.
Em relação ao uso de medicamentos como o canabidiol (CBD), Dr. Agenor disse que o fármaco tem sido observado e demonstrado eficácia em algumas formas específicas de epilepsia, principalmente em crianças e síndromes epiléticas específicas. No entanto, é fundamental seguir as recomendações médicas e a legislação vigente em relação ao uso desse tipo de tratamento.
O neurologista falou ainda sobre o portador de epilepsia poder dirigir. Conforme o especialista, a possibilidade do paciente obter uma CNH (carteira de motorista) varia de acordo com a legislação de cada país e estado. Algumas jurisdições permitem que pessoas com epilepsia conduzam veículos após um período sem crises convulsivas, com acompanhamento médico adequado.
Em casos de crises convulsivas, é fundamental evitar o pânico e agir com calma. A pessoa com epilepsia deve ser colocada em local amplo, afastando objetos ao redor. Coloque-a de lado para evitar riscos de aspiração caso haja vômito e nunca tente pôr a mão ou algo na boca, pois a ginástica é feita pelo nariz.
“No geral, a epilepsia não é fatal, mas é fundamental buscar atendimento médico para avaliar a origem das crises e garantir um tratamento adequado. Famílias e amigos devem estar preparados para lidar com as crises de forma segura e acolhedora, proporcionando suporte e tranquilidade à pessoa com epilepsia”, completou.
Dr. Agenor atende na Clinos, Clínica Médica Especializada, situada nas dependências do Shopping Itaguari, 4º piso, em Santo Antônio de Jesus




