“As dificuldades sempre vão existir, mas a gente pode não se calar”, diz Capitã Isa Carla sobre a violência contra a mulher em SAJ

A capitã marcou presença na sessão da Câmara de Vereadores desta segunda-feira (19).

A Capitã de Polícia Militar Isa Carla, esteve presente na sessão desta segunda-feira (19) da Câmara de Vereadores de Santo Antônio de Jesus referente ao Agosto Lilás. Estiveram presentes também representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Santo Antônio de Jesus.

Foto: divulgação

Em entrevista, a capitã lamentou a morte da Delegada Patrícia Jaques e ressaltou o trabalho que ela desempenhava em defesa das mulheres que sofriam violência no município.

“Várias mulheres foram atendidas por ela, várias mulheres a gente compartilhou o  atendimento dela como delegada. A gente na Polícia Militar, atendendo as mulheres que já se detinham medida protetiva, ficou se perguntando esses dias, o que que está se passando pela cabeça das mulheres que passaram por ela? O sentimento de impotência, porque elas devem estar se perguntando com certeza, se aconteceu com a delegada e o que que vai acontecer comigo?”, declarou a capitã.

“Convocar todas as mulheres que estão passando por uma situação de de violência pra não se calar. As dificuldades sempre vão existir, mas a gente não pode se calar. E a gente não pode continuar perdendo mulheres pra violência, não pode continuar perdendo mulheres pra o machismo”, completou.

No que se refere a atuação da polícia no combate à violência contra a mulher e o acompanhamento dos casos, a Capitã Carla explicou que a ação acontece após a solicitação da presença da guarnição policial. Em caso de descumprimento de medida protetiva, as viaturas realizam o pronto atendimento para a garantia da segurança da mulher em risco.

“Aqueles casos de descumprimento de medida protetiva, as guarnições são acionadas para o pronto atendimento e a proteção daquela mulher. Para que ela consiga ela sair do local que ela vem sendo colocada sob ameaça, em perigo, para que ela consiga buscar seus pertences. Muitas vezes são situações imediatas que ela precisa buscar os pertences dos documentos dela na casa e ela não consegue acessar. A gente presta esse auxílio sempre que necessário, sempre que possível”, explicou.

Em relação aos casos em que a mulher nega ajuda do efetivo policial, ou resistem em deixar que o agressor seja detido, a policial explicou que os agentes atuam de forma cautelosa e observam os sinais para confirmar se houve ou não a violência.

“As guarnições são orientadas a observar os sinais que muitas vezes as mulheres aparentam de violência, olhar em volta da da residência, na casa, se tem coisas quebradas, se ela está com alguma lesão, se ela está com algum machucado, que indique que ela realmente sofreu uma agressão e que a guarnição possa atuar. Pegar aquele agressor e prendê-lo em flagrante”, esclareceu

“Tem algumas orientações em relação a esses sinais, por que a gente também não pode é adentrar sem autorização, da pessoa ou da família, mas se a guarnição observar sinais contundentes de violência, de que aquilo acabou de acontecer, aí sim a guarnição pode atuar com tranquilidade”, concluiu.

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