Teve início nesta terça-feira (10), o júri popular de três acusados de envolvimento no assassinato da transexual Gerusa Reis, de 32 anos, morta a tiros no bairro Zilda Arns, em Santo Antônio de Jesus, no dia 15 de fevereiro de 2021. Um dos investigados no caso já faleceu, enquanto os outros enfrentam julgamento no Fórum Desembargador Wilde Lima.

O promotor responsável pelo caso surpreendeu a família ao pedir a absolvição dos réus, alegando ausência de provas suficientes e divergência nas versões apresentadas ao longo da investigação.
Em entrevista ao Blog do Valente, Fernanda Reis, irmã da vítima, expressou profunda decepção.
“Os dois acusados que estão aí, inclusive, teve um que afirmou, quando foi preso, que ele tinha feito, sim, o assassinato da minha irmã Jerusa. E agora, no ato do julgamento, estou vendo, pelo que está ocorrendo ali, vai ser absolvido, pelo que eu estou vendo. Como é que fica a morte da minha irmã? Jerusa foi assassinada covardemente pelas costas. Um dos réus confessou que matou. Ele disse no depoimento para o delegado que matou. Quando veio hoje ele disse que não foi ele não, que ele é inocente, que ele estava em casa dormindo. Mas ele é um réu confesso. Como é que ele vai ser absorvido de um caso que ele é réu confesso?”, disse Fernanda Reis, ao Blog do Valente.
A defesa dos acusados sustenta que há muitas inconsistências no processo. Um dos pontos destacados é o número de disparos. Um dos réus teria confessado que foram seis tiros, sendo dois efetuados por cada envolvido. No entanto, segundo a defesa, o delegado responsável afirmou, na época, que a perícia indicava oito disparos. Já o laudo oficial apontaria apenas dois tiros, gerando dúvidas sobre a versão apresentada. Além disso, um dos suspeitos alega, desde o início, que estava em casa no momento do crime.
Fernanda Reis fez um apelo emocionado por justiça, pedindo que os responsáveis pela morte da irmã sejam punidos. O resultado deve ser divulgado ainda na tarde de hoje.
“E aí, quem matou Jerusa? Queremos justiça. Foi uma vida. Uma vida que importa. Uma vida trans. Jerusa não mexia com ninguém. Jerusa era o amor da nossa família, a alegria da nossa casa. Acabou a nossa alegria. Hoje vamos sair daqui chorando e os réus sorrindo. Onde existe isso? Que Brasil é esse? Eu não tô entendendo essa justiça. Eu quero justiça pela minha irmã.”
Ver essa foto no Instagram




