Antes de criar secretaria, Santo Antônio de Jesus precisa estruturar sua Guarda Municipal – por Léo Valente

Proposta de nova secretaria de segurança gera debates, mas especialistas e população cobram investimentos reais na corporação local

O debate sobre segurança pública voltou à pauta em todo o Brasil — e Santo Antônio de Jesus não está imune a essa discussão. Dados recentes mostram que uma em cada quatro cidades brasileiras (23,7%) já possui sua própria Guarda Municipal, reunindo mais de 101 mil agentes em atuação. Muitas delas vêm investindo pesado: armamento moderno, viaturas de ponta, capacitação profissional e até grupos de elite fazem parte da nova realidade de várias corporações municipais.

Foto: Blog do Valente

Enquanto isso, em Santo Antônio de Jesus, a estrutura da Guarda Municipal ainda é considerada deficiente e muito distante do necessário. E não é preciso olhar para metrópoles como Salvador para perceber esse contraste: cidades vizinhas, como Nazaré das Farinhas e Amargosa, já se tornaram referência regional ao adotarem um modelo mais organizado, com treinamentos contínuos e presença efetiva nas ruas.

Por aqui, a justificativa frequente das gestões é a falta de recursos específicos para segurança pública, já que os repasses federais priorizam áreas como saúde e educação. No entanto, diante da crescente demanda da população por proteção e prevenção à violência, esse argumento tem perdido força.

Nos bastidores, circula a informação — ainda não oficializada — de que a prefeitura avalia a criação de uma Secretaria Municipal de Segurança Pública. A proposta, em tese, representa um avanço institucional. Contudo, se não vier acompanhada de investimentos concretos na estrutura da Guarda, corre o risco de se tornar apenas mais uma medida burocrática, com pouco ou nenhum impacto prático.

O temor, inclusive, é que a criação da nova secretaria apenas alimente o discurso da oposição, que pode questionar se não se trata de mais um cargo comissionado sem utilidade real. Afinal, de que adianta um comando se não há estrutura mínima para ser comandada?

A prioridade, portanto, precisa ser clara: estruturar de forma urgente a Guarda Municipal de Santo Antônio de Jesus. Isso passa por concurso público, contratação e capacitação de novos agentes, aquisição de equipamentos adequados, definição de postos de atuação estratégica e ações de patrulhamento preventivo com presença real nas comunidades.

A criação de uma secretaria pode vir depois — como consolidação de um projeto eficiente — ou até ser feita em paralelo, desde que o foco principal esteja no fortalecimento da base operacional. Sem essa base, qualquer proposta institucional corre o risco de ser percebida como “maquiagem política”.

Investir em segurança pública não deve ser apenas uma resposta discursiva. É preciso ação concreta. A população espera mais do que promessas: espera presença, resposta rápida e sensação de segurança nas ruas.