Prefeituras bancam lixão que polui meio ambiente, explora e põe em risco saúde de pessoas humildes em Nazaré das Farinhas

Foto: Blog do Valente

Na comunidade de Areia Branca, na cidade de Nazaré das Farinhas, um local que recebe lixo da própria cidade de Nazaré, de Salinas das Margaridas, Muniz Ferreira e Jaguaripe, virou motivo de denúncia. Em alguns locais do país, os lixões são formados a partir de descartes de cidadãos ou empresas, mas em Nazaré o absurdo é que o lixão que prejudica o meio ambiente e causa doenças a população é mantido pelo poder público.

O local é utilizado por muitas pessoas como uma fonte extra de renda a partir da retirada de garrafas pets, alumínios e vidros do local. A questão é que esta exposição sem equipamentos adequados oferece muitos riscos as pessoas, além disso o Blog do Valente recebeu denúncias de que estas pessoas que trabalham com reciclagem, vende os produtos reciclados, fruto de um árduo trabalho, por um preço muito baixo para o filho do proprietário do terreno. Ou seja, o proprietário recebe das prefeituras, não faz tratamento do lixo e ainda ganha em cima de quem tenta viver de reciclagem.

“A gente leva para a rua, para um rapaz que chama Claudino, lá em frente a passarela, e também vendemos a um ferro-velho que fica na ‘beira’ da pista”, disse um dos homens que trabalha no lixão, informando também que uma das pessoas que recebe o material reciclado é o próprio filho do dono do terreno. “Ele vai compra na mão da gente, ele vende a outra pessoa em santo Antônio de Jesus, e dai vai para feira de Santana e Salvador”, contou.

Cheiro ruim muito forte, bichos como moscas e ratos em toda parte, este é o cenário de um lixão a céu aberto. O Brasil tem quase 3 mil locais ilegais de descartes de resíduos. O descarte de resíduos nos lixões pode ser tão perigoso quanto uma pandemia, esta prática pode gerar muitas doenças sérias e a disseminação de ratos, baratas e moscas nas casas e comércios, e a contaminação da água através do chorume.

Lixo hospitalar é jogado no local de forma indiscriminada – Foto: Blog do Valente

Acidentes constantes e pouco rendimento

Os homens e mulheres entrevistados pelo Blog do Valente explicaram que o trabalho no local não rende quase nada no final do mês, umas das mulheres presentes chegou a dizer que ela trabalhava duas semanas para conseguir juntar R$60,00 (sessenta reais). O valor arrecadado logo não é compatível ao perigo que essas pessoas se expõem, muito menos ao valor final que as pessoas que recebem os materiais lucram.

“Já achamos caixão aqui no lixão”, disse uma catadora. Um outro rapaz chegou a se furar com uma seringa no momento em que a reportagem estava sendo gravada. “Eu mesmo me furei ali nesse instante. Quando eu vi o sangue estava pingando, ai eu limpei o lugar”.

Luvas e materiais de proteção não fazem parte da rotina de trabalho. “Não tem luva, a mascara é a gente mesmo quem compra, não tem ninguém para dar”, contou uma mulher. “Eu mesmo me furei logo cedo, e tá me doendo, eu nem sei o que foi. Fico com medo de ser uma injeção, ai eu passei limão”, disse outro homem.

A presença de urubus, ou chuva não intimada as pessoas no serviço da reciclagem. “Quando chove cada um corre para debaixo de um pé de pau, outros fica trabalhando. Os urubus comem junto com a gente, passeia com a gente”, disse o homem enquanto sorria.

Seringas, algodões e luvas usadas oferecem risco a saúde dos catadores – Foto: Blog do valente

Um problema que se arrasta por anos

A cidade de Nazaré, e as demais cidades citadas nesta reportagem praticam este método de descarte do lixo doméstico há anos. Segundo um dos homens que trabalham no local, no mínimo desde a gestão de Adarlado Nogueira, Nazaré tem este local onde o lixo é descartado indiscriminadamente.

“Aqui te muito muito anos, desde o tempo de Adarlado Nogueira. Cada prefeito que perde renda de novo por mais quatro anos, e as prefeituras vão pagando aos donos”, contou.

É um consenso não só entre ambientalistas, mas também entre médicos e autoridades sanitárias que jogar lixo ou entulho em locais públicos traz graves riscos para a população e as consequências são desastres ambientais como enchentes, alagamentos, poluição dos rios. No caso do lixão de Nazaré das Farinhas, o chorume atinge e polui o Rio Copioba.

 

Reportagem: Léo Valente