Médico baiano aperfeiçoou e uniu tratamento para incontinência urinária e prisão de ventre entre crianças

                                                          Foto: Pixapay

 

Um tratamento para crianças que sofrem com a chamada disfunção vesical e intestinal na infância (DVI) teve sua eficácia comprovada em estudo de grupo de pesquisadores baianos. A doença, que atinge 7.5% das crianças entre 5 e 14 anos, causa incontinência urinária e constipação com quadros frequentes de infecção urinária nos jovens. No estudo mais recente, recém-publicado no Journal of Urology, renomado periódico científico americano de Urologia, os pesquisadores comprovaram que um tratamento antes utilizado apenas para tratar quadros de incontinência urinária é também eficaz para as crianças que apresentam a prisão de ventre.

O tratamento, criado em 2001 por pesquisadores da Bélgica, foi aperfeiçoado pelo grupo de pesquisa baiano coordenado pelo professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e urologista Ubirajara Barroso Jr, em um primeiro estudo publicado ainda em 2016. A técnica consiste na utilização de estimulação por pequenos choques na região sacral que causam uma reorganização neuronal ligado ao reconhecimento da bexiga. A equipe baiana foi a responsável por simplificar o tratamento criando um novo protocolo. Atualmente, os principais estudos sobre o tema são publicados pela equipe de Barroso Jr.

Agora, o novo estudo comprova a eficácia do mesmo procedimento para as crianças que apresentam também a prisão de ventre. O estudo foi fruto do trabalho de doutorado da coloproctologista Glícia Abreu e comprovou eficácia em 70% dos jovens com o quadro.

“Muitos pais e médicos desconhecem a associação de quadros de incontinência urinária concomitante com a prisão de ventre. Cerca de 50% das crianças com incontinência urinária também têm constipação. Essa é a principal causa de infecções urinárias recorrentes após o desfralde. Diagnosticar essa condição e tratar é importante para que no futuro esse paciente não venha a ter uma síndrome da dor pélvica crônica ou bexiga hiperativa”, explica o orientador da pesquisa.

Realizado através de um ensaio clínico randomizado com 40 crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos, o estudo dividiu os jovens em dois grupos: um grupo controle, submetido a uroterapia e que recebeu os estímulos elétricos em região não associada ao diagnóstico, e um grupo tratamento, submetido a uroterapia mais estimulação elétrica na região testada.

O pesquisador explica que a divulgação do tratamento é de extrema importância já que os pais muitas vezes não percebem que se trata de uma doença. “Muitos pais não sabem que isso é um problema. Muitas vezes as crianças que têm essas condições acabam também desenvolvendo questões psicológicas”, detalha o médico, que destaca, ainda, que o tratamento pode ser realizado através do Sistema Único de Saúde (SUS), na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

*Reportagem Metro1