Fim da emergência sanitária não indica que pandemia acabou; entenda

Exames que confirmaram a presença da nova variante foram realizados no início de outubro
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A declaração feita pela Organização Mundial da Saúde(OMS) sobre o fim da emergência sanitária tem implicações significativas na maneira como os países são alertados e nos compromissos que eles assumiram perante a organização.

A OMS declara o fim da pandemia?

De acordo com entrevista de Margareth Harris, médica da OMS, ao Poder360 “o que a OMS declara é o fim da emergência de saúde pública de interesse internacional” e não o fim da pandemia.

A denominação de pandemia não parte de uma declaração da OMS. O que a organização faz é retirar a emergência. “O exemplo clássico é o HIV, que continua sendo uma pandemia, mas deixou de ser declarado como emergência internacional”, diz o infectologista Renato Kfouri.

Na declaração desta sexta-feira, a OMS também disse que o anúncio do fim da emergência “não significa que a covid-19 deixou de ser uma ameaça global”.

O que significa o fim da emergência?

Com o fim da emergência sanitária declarada pela OMS, as recomendações e ações recomendadas aos países para combater a pandemia podem mudar. Os países podem não estar mais vinculados aos acordos feitos anteriormente com a OMS e suas obrigações podem ser revisadas e alteradas de acordo com as novas circunstâncias. No entanto, é importante destacar que a pandemia ainda está em curso e medidas de saúde pública podem ser necessárias para controlar o vírus em nível global.

“O que essa notícia [o anúncio do fim da emergência] significa é que chegou o momento dos países fazerem a transição do modo de emergência para gerenciar a covid-19 de forma conjunta com as outras doenças infecciosas”, diz o comunicado da OMS.

Havia uma questão geopolítica na definição de emergência. “A OMS entendeu que para prover recursos de vigilância e oferta de vacina a países mais pobres, ainda era necessária manter a denominação”, afirma Renato Kfouri.

Acabou o risco?

O comunicado desta sexta-feira (5) veio acompanhado de um pedido para que os países mantivessem medidas de monitoramento e atenção. O diretor-geral da OMS afirmou que “a pior coisa que qualquer país pode fazer agora é usar esta notícia como motivo para baixar a guarda, desmantelar os sistemas de saúde que construiu [para conter a doença] ou enviar a mensagem ao seu povo de que a covid não é motivo de preocupação”.

A doença continua existindo entre nós. A doença ainda faz vítimas e ainda tem um impacto muito importante na saúde de todos, especialmente em relação à covid longa”, afirma Renato Kfouri.