Horário das refeições pode influenciar saúde e longevidade dos idosos

Pesquisa acompanhou quase 3 mil pessoas por 20 anos e aponta que horários das refeições podem indicar fragilidade na saúde dos idosos

A refeição deve ter qualidade e incluir fontes de cada grupo alimentar Imagem: iStock

Um estudo publicado nesta quinta-feira (04) na revista Communications Medicine revelou que atrasar o café da manhã pode estar associado a problemas de saúde física e mental — e até ao aumento do risco de morte precoce.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Mass General Brigham (EUA) em parceria com instituições internacionais e acompanhou quase 3 mil pessoas no Reino Unido, com idades entre 42 e 94 anos, ao longo de duas décadas. Os pesquisadores observaram que, com o envelhecimento, os participantes passaram a tomar café da manhã e jantar mais tarde, reduzindo o tempo total de alimentação durante o dia.

O estudo identificou que o hábito de iniciar o dia mais tarde estava ligado a maior prevalência de depressão, fadiga, pior qualidade do sono e problemas bucais. Também foi observado que a dificuldade para preparar refeições era um dos fatores que levavam a mudanças no horário de comer.

“O café da manhã pode ter um peso ainda maior na rotina da terceira idade. Nossas descobertas mostram que ele não é apenas importante para começar o dia, mas também pode refletir a saúde geral e a expectativa de vida do idoso”, afirmou Hassan Dashti, principal pesquisador do estudo.

Segundo os autores, a alteração nos horários das refeições pode servir como sinal de alerta precoce para problemas de saúde física ou mental em idosos. Eles recomendam que médicos e pacientes fiquem atentos a essas mudanças para investigação de possíveis condições clínicas.

Os pesquisadores sugerem que manter horários consistentes para as refeições pode se tornar uma estratégia simples e eficaz para promover um envelhecimento mais saudável. O estudo também levanta um ponto de atenção sobre práticas como o jejum intermitente, cujos efeitos podem ser diferentes em pessoas idosas em comparação com adultos jovens.