Deputado diz que tem casa na praia que vale R$ 1,00

 

 Entre as razões para os 34 pedidos de impugnação apresentados ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco, consta uma, no mínimo, curiosa: na declaração de patrimônio, o deputado Wolney Queiroz (PDT-PE) atribuiu o valor de R$ 1 para cada um dos oito bens apresentados, entre eles um apartamento à beira-mar na Praia de Boa Viagem, onde fica o metro quadrado mais caro de Recife.

Um verdadeiro “escárnio”, no entender do procurador Regional Sady Torres, para quem a legislação brasileira é ” muito frouxa” quando se trata do assunto.

O procurador disse achar curioso que muitos políticos aleguem guardar dinheiro em espécie, “no colchão”, quando a população tem medo de fazer isso devido ao risco de assaltos e também porque o dinheiro pode render, se aplicado.

No dia 5, o parlamentar entregou ao TRE a declaração de bens, no qual enumera o apartamento de Boa Viagem, dois outros no município de Caruaru — a 130 quilômetros da capital —, um automóvel Hyundai e ações em empresas. Valor de cada um: um real.

Dinheiro mesmo, segundo a declaração, só tinha em casa: R$ 200 mil.

— Ele pode corrigir a falha — ressaltou Torres.

Segundo o advogado do candidato, ele já fez uma segunda declaração na qual constam, em vez de oito, 17 bens, incluindo o dinheiro guardado em casa.

Somados os valores, o patrimônio do pernambucano seria superior a R$ 600 mil.

— Ele pode corrigir a falha — ressaltou Torres.

Segundo o advogado do candidato, ele já fez uma segunda declaração na qual constam, em vez de oito, 17 bens, incluindo o dinheiro guardado em casa. Somados os valores, o patrimônio do pernambucano seria superior a R$ 600 mil.

Segundo o advogado Carlos Oliveira, o deputado deu entrada nos valores corrigidos em 9 de julho, mas provavelmente o procurador não chegou a receber a tempo a nova documentação:

— A primeira declaração foi realmente apressada, mas para não perder o prazo — alegou.

De acordo com o procurador, o caso do pedetista não é o único:

— A declaração de bens da grande maioria dos candidatos não passa de peças de ficção. Infelizmente, a legislação é frouxa — protestou

Fonte: O Globo