Nos dois municípios da Ilha de Itaparica, Vera Cruz e Itaparica, o poder parece não ser utilizado em prol das questões sociais, em favor do povo, tamanho é o valor do abandono da localidade. Por isso, com tantas denúncias de irregularidades, há dúvidas de que os políticos do lugar encarem como síntese de suas obrigações básicas, os atos de legislar – com discernimento -, fiscalizar e advogar em causas comunitárias.
Os repasses do Governo Federal para a Ilha são expressivos, no último mês de novembro foi de R$ 5.034.579,38, sem contar a arrecadação municipal. O município de Vera Cruz ocupa 87% da área da Ilha de Itaparica a maior ilha marítima do Brasil. Emancipou-se politicamente, desmembrando-se do município de Itaparica por força da Lei Estadual nº 1773/62. Possui cerca de 35 mil habitantes, que vivem tipicamente da pesca e do turismo na alta estação. É uma cidade onde a maioria das pessoas vive com inúmeras carências e doenças, como tuberculose, doenças de chagas e todo tipo de miséria, além de muito lixo. Falta giz nas escolas e merenda escolar.
Há apenas dois hospitais de baixa complexidade. Apesar disso, apenas 3% da dotação orçamentária do município vai para o desenvolvimento social, enquanto 8% são destinados para os gastos na Câmera dos Vereadores. Um dos grandes problemas aqui é o do compromisso. Os gestores não têm essa preocupação, afirma a empresária Lenise Ferreira, há mais de 10 anos estabelecida comercialmente na ilha.
O Tribunal de Contas (TCM) rejeitou as contas do Instituto de Previdência Social de Vera Cruz, que tinha como gestora Adriana Vinagre, esposa do prefeito Antônio Magno Filho (PT), que atualmente conta com a esposa à frente da Secretaria Municipal de Ação Social e há quem considere a situação uma questão de nepotismo. Adriana é concursada, qualificada e já assumiu outras funções, mas acho que é nepotismo sim, disse uma pessoa ligada à prefeitura que preferiu o anonimato.
Sobre as contas do município, o TCM lançou severas críticas ao prefeito: Considerando que as ditas irregularidades atentam, gravemente, contra a norma legal, e contrariam os mais elementares princípios de natureza contábil, financeira, orçamentária e patrimonial, resolve imputar ao gestor multa no importe de R$6.500,00 (seis mil e quinhentos reais), devido às irregularidades consignadas nos relatórios elaborados pela equipe técnica deste TCM. Estamos entregues à baderna. A farra com o dinheiro público vai de vento em polpa, afirmou Jarbas Figueiredo, outro comerciante da localidade.
Ainda no município de Vera Cruz, mais descaso e utilização indevida de poder, conforme foto. A reportagem da Tribuna flagrou a construção irregular em área da marinha. Trata-se da edificação de estabelecimento comercial (Bar), na Praia de Barra do Pote-Vera Cruz, e pertence segundo moradores, a um vereador da Prefeitura de Vera Cruz, conhecido por Coité, ex-presidente da Câmara Municipal.
A denúncia foi encaminhada pelo ambientalista Mauricio Vergner ao Ministério Público Estadual da Comarca de Itaparica, à Secretaria do Patrimônio da União, ao CREA-Ba, Ima e Ibama, bem como à Prefeitura de Vera Cruz, todavia, nada foi feito e a obra continua de vento em popa. Se soube na localidade, por ouvir dizer, que, não se sabe ao certo se o IBAMA ou o IMA, esteve na localidade a autuou a obra, porém, não houve embargo da mesma e, na certeza de que prevalecerá a impunidade e as influências políticas, já que o proprietário da mesma é vereador do nosso município, ex-presidente da Casa Legislativa, informou morador da ilha, Silvio Baraúna.(Rodrigo Lago, Tribuna da Bahia)




