Alvaro sobre Euvaldo: “Eu posso ser amigo, mas não posso ser amigo politicamente. Eu tenho meus ideais políticos ele tem os dele”

Na tarde de hoje, 23, o prefeito Álvaro Bessa esteve presente no Encontro de Militância Petista realizado em Santo Antônio de Jesus. O encontro, que contou com a participação do secretário estadual de Comunicação, Robinson Almeida, foi também um momento de filiação de nomes do cenário político para o Partido dos Trabalhadores. O ex-prefeito Álvaro Bessa que foi convidado a se filiar ao partido, concedeu uma entrevista aos repórteres Reginaldo Silva e Léo Valente, da rádio Andaiá FM, em que falou sobre suas perspectivas para as próximas eleições e em relação ao convite do PT. Leia a entrevista na íntegra.

O senhor dizia “eu vim para o partido pra somar”, “eu sou um homem de partidos”, é a indicação de que Álvaro Bessa, mesmo que não tenha se filiado ainda, está vindo para o PT?

Álvaro Bessa – Se eu disse, está dito. Eu venho ao evento, evento de filiação a convite dos diretórios, de Manoel Missinonário, de Alilton e do secretário Robinson Almeida, filho de Santo Antônio comunicador nato, que faz o trabalho de fortalecimento das células do partido. Pra mim, foi uma honra participar do evento, nós estamos ainda nos trâmites de uma filiação, outros encontros com autoridades virão. Estamos só nesse aguardo no limite que nos é concedido, limite que eu digo, de tempo até essa filiação.

O convite foi feito e o senhor tem a intenção de aceitar?

Álvaro Bessa – O convite conta com a nossa empatia, uma empatia recíproca, e nós em cima desse preceito estamos praticamente de contrato assinado.

Como o senhor sentiu a receptividade do secretário Robinson Almeida, um dos principais articuladores políticos do governo Wagner, que esteve em Santo Antônio fazendo esse convite?

Álvaro Bessa – Já conheci Robinson a um tempo atrás, essa aproximação vem acontecendo. Como eu sempre fui base do governo Wagner, ainda tenho uma relação que considero boa como o Governador. Realmente é um republicano, um democrata Sempre que nos encontramos há uma receptividade entre nós. O convite vem e eu acho que, a oportunidade vem e se as coisas estão caminhando para construímos algo melhor, não para mim, mas para o futuro de SAJ, a gente vai aproveitar a oportunidade de governo para construir algo melhor.

Uma questão levantada essa semana, foi o fato de que o senhor sempre teve uma boa relação com o Prefeito Euvaldo Rosa, com a administração. E Pt e administração municipal são antagônicos. Como o senhor vai administrar isso?

Álvaro Bessa – Eu tenho uma boa relação, porque tive pendências ainda da minha administração e que os processos vieram quando eu estava fora do governo. E essa documentação toda estava retida. Nós contamos com o apoio, embora eu tenha tudo guardado, e esses processos evoluíram, e estamos liberados e dessa questão que eu nem falo mais. Eu sou médico, eu sou um profissional da medicina. O meu relacionamento administrativo com a prefeitura é na área medica. Eu sou profissional, atendo num posto de saúde, pratico a profissão médica sem intromissão política.

É uma relação profissional?

Álvaro Bessa – É uma relação profissional. Eu posso ser amigo, mas não posso ser amigo politicamente. Eu tenho meus ideais políticos ele tem os dele. Eu respeito as idéias dele, ele tem que respeitar as minhas.

O presidente da Câmara, Délcio Mascarenhas falou nessa semana sobre a possibilidade de mesmo o senhor sendo o candidato do PT, apoiar o grupo do prefeito. Qual sua opinião?

Álvaro Bessa – Se eu vier para o PT, eu venho com membro do PT.

O senhor não vem com a condição de ser candidato?

Álvaro Bessa – Não venho, isso é coisa de quem acha que já está sobre todos. Eu não estou. Eu venho humildemente participar do diretório, se for convidado. Eu sou um soldado. Mas, os membros do conselho, os membros do diretório, é que futuramente, vão decidir o melhor para o partido.

O senhor pretende se filiar?

Álvaro Bessa – Evidente!

O senhor, ao participar do programa estúdio Livre da rádio Andaiá FM, questionado sobre uma avaliação dos três governos, o senhor chegou a dar nota máxima ao governo Lula, ao governo Wagner e para a administração municipal. A opinião continua?

Álvaro Bessa – Eu acho o seguinte: eu vivo para trabalhar, eu não sou órgão fiscalizador, não faço parte do legislativo, não sou do TCU, não sou inquisidor da república, então não é competência minha julgar coisas que um ou outro considere certo ou errado. Eu apenas vejo falhas, fui prefeito e também não pude corrigir tudo que desejei, mas dentro do que vem sendo feito em Santo Antônio de Jesus e dentro do meu conhecimento, é um governo razoável que faz o que pode, não faz o que quer porque não recebe, até pela posição que ocupa. Ele é um prefeito que não é aliado ao governo do estado, embora o governo ajude e apóie, mas não é uma relação tão estreita, quanto se viesse na vertical, com o federal, estadual e municipal. Mas a mim não compete julga-lo. Esse julgamento será feito pelo povo numa próxima eleição. Eu também não posso condenar ninguém, não é meu feitio. Nós políticos não temos que olhar o que o outro está fazendo, nós temos que, em cima daquilo que você entende como falho, que pode ser melhorado, a nossa força política a conjuntura que participamos deve fazer projetos para que melhore a situação, em cima das demandas da população.

 Obviamente, Não é momento de formação de chapas, é o momento de filiação. Mas já se especula que mesmo com Álvaro no Pt, o grupo de Euvaldo Rosa poderia indicar um candidato a vice na sua possível candidatura a prefeito. independente da sua filiação ou não, o senhor acha que é possível um candidato a prefeito do PT ter como vice alguém indicado pelo grupo do prefeito Euvaldo Rosa, que foi o grupo que o PT sempre fez oposição?

Álvaro Bessa – Essa competência não é minha. Essa competência é deles que poderão trabalhar, tentar costurar essa relação, melhora-la e tentar convencer a força maior, para estreitar a relação e ter esse espaço. Mas, será ótimo, como o secretário Robinson falou, nós não podemos ir sozinhos, nós temos que respeitar essas legendas que são base do governo Wagner.