Julgamento de ex-sargento acusado de matar adolescente em Ilhéus começou hoje

O repórter Ciro Zatele, apresentou nesta manhã, 28, algumas informações sobre o julgamento do ex-sargento da Polícia Militar de Ilhéus, Eduardo Claudino Lindote de Santana, que acontece aqui em Santo Antônio de Jesus. Eduardo Lindote é acusado de estuprar e matar a garota Geisa Gabriela Marinho dos Santos, na época com 15 anos, no dia 9 de dezembro de 2004. O crime aconteceu na cidade de Ilhéus. O advogado Davi Pedreira (foto ao lado), que faz parte da acusação esteve hoje, 28, no programa Levante a Voz da rádio Andaiá Fm, para dar mais dados sobre o julgamento do ex-sargento que começa na manhã de hoje.

Segundo Davi Pedreira, o ex-sargento residia em frente a casa da vítima e era conhecido por resolver grande parte dos problemas na cidade. No dia em que o crime aconteceu, os pais da vítima chegaram em casa, por volta das 22 horas e encontraram às portas abertas, mas a vítima não estava presente. Depois de muita procura, a garota foi encontrada boiando em um rio próximo a sua casa.

A desconfiança sobre Lindote já começa na noite anterior, antes da descoberta do corpo, quando todos estranham sua ausência nas buscas. Além disso, outro sargento, amigo dele que vai depor pela acusação hoje, viu o chão da garagem molhada. Ao questionar o acusado ele afirma que lavou o carro e a garagem por conta da sua cadela que estava no cio. Mais tarde, a perícia descobre que, na verdade, ele lavou tudo para esconder as pistas. A polícia técnica descobriu ainda que os fios de cabelo e o sangue, encontrados no carro, eram de humanos e não de sua cadela, como ele insistia em dizer.

As provas não terminam por aí. Segundo o advogado, testemunhas viram a vítima gritando e viram, também, o acusado passar acompanhado em seu carro, no percurso em que o corpo foi encontrado. “As testemunhas indiciárias são muito fortes em mostrar que ele dopou ela, no carro dele foi encontrado diazepan em uma schin cola”, afirmou Davi Pedreira.

A motivação do crime também foi explicada. Segundo o advogado, no decorrer do inquérito um policial que trabalhava com ele no Hospital de Ilhéus, inclusive onde a mãe da vítima também trabalhava, foi depor, voluntariamente, e disse que era costume do ex-sargento falar com satisfação sobre as meninas de 12, 13 anos com as quais ele costumava fazer sexo. O acusado, inclusive, já tinha mencionado o nome da vítima e afirmado que era ela quem ele queria.

Davi Pedreira afirmou que o clamor público em Ilhéus, pela condenação de Eduardo Lindote é grande. Audiências tiveram que ser desmarcadas pela tamanha pressão popular. A população fez várias passeatas exigindo justiça. “O desaforamento é porque a defesa acusa que a cidade de Ilhéus estava pronta pra julgar e condenar sumariamente o ex-sargento”, disse.

A ficha criminal de Eduardo Lindote é extensa. Segundo o advogado de acusação, ainda durante a formação como policial ele foi acusado de agredir um colega. Depois de formado, trabalhando em Guanambi, foi punido pela acusação de violentar uma garota. Mais tarde uma advogada o acusa de ser humilhada por ele e mais uma vez o ex-sargento é punido. No decorrer do processo de Geisa, descobre-se que ele tentou violar uma garota de 15 anos, e depois ele foi condenado por tentativa de estupro de outra mulher. Somente há três anos, Lindote foi exonerado na PM depois de um processo administrativo. “A vida desse rapaz tem diversos casos muito graves que mostram que ele precisava dessa punição”, afirmou o advogado.

As informações o advogado são de que desde 2005, o acusado está preso. Por várias vezes, ainda tentou a liberdade provisória que não foi concedida. A previsão é que o julgamento, que começou nesta manhã, só termine amanhã, pelo grande número de testemunhas. São 16 no total. O ex-sargento está sendo julgado hoje pelos crimes de estupro e homicídio, se for condenado deve pegar entre 30 e 35 anos de prisão. A pena ainda pode ser agravada se for levada em consideração a má conduta do acusado.(Fonte: cidadeinforme.com.br)