Uma pergunta foi levantada no programa Andaiá Debate, sobre as homenagens que a população da Ãfrica do Sul presta a Mandela, embora ela tenha a maior parte de brancos da Ãfrica. Afinal, âestas homenagens dos brancos da Ãfrica do Sul foram de coração?â perguntou Dilson Barbosa. O professor doutor Roberto de Matos afirmou que os europeus passaram a ocupar a Ãfrica do Sul desde o século XVII, de maneira ostensiva, que explorou o povo desde muito cedo, diferentemente de outros paÃses africanos. Ele observou que âa opressão, a ausência de liberdade e a exploração da população da Ãfrica do Sul é muito grande em termos históricosâ e quando a população deste paÃs passa a lutar contra o Apartheid, ela luta contra séculos de opressão e não apenas com a polÃtica de separação implantada a partir do século XIX. Quando o Apartheid caiu, houve um grande significado para a população, que há séculos não tinha esta sensação da liberdade plena, por causa disso Nelson Mandela se tornou o grande sÃmbolo da liberdade para o povo sul-africano. Com o fim do Apartheid, a população escolheu democraticamente Mandela para presidente e a minoria branca ficou com medo de a população negra buscar uma revanche e fazer o mesmo que sofreu por anos, mas Mandela e seus companheiros de luta souberam administrar esta transição de forma negociada, levando os grandes empresários a se comprometerem a respeitar os direitos democráticos que a população negra tem de avançar socialmente, economicamente e em outros aspectos. Desde este momento a Ãfrica do Sul vem adotando também as polÃticas de ações afirmativas para ajudar a reconstruir os séculos perdidos na segregação. Para o professor DenÃlson, âinverter a pirâmide não adiantaâ, ou seja, os negros não ganhariam se fossem apelar para a vingança e viessem a dominar os brancos como foi feito com eles no passado, por isso Mandela ocupou o poder com a consciência de não julgar os indivÃduos pela tez, mas sim unir forças para lutar. Ele comentou que alguns brancos participaram do movimento contra o Apartheid, pois percebiam ser inconcebÃvel a atitude excludente. O professor Wilson comentou que, assim como no Brasil, ainda há uma segregação espacial na Ãfrica, quando se percebe bairros em que a população é maciçamente negra ou branca, mas esta separação não possui a carga da falta de liberdade vivenciada com o Apartheid, quando não se podia ser cidadão no seu próprio paÃs.  Por isso, segundo ele, é importante implantar estas ações afirmativas nas universidades, pois antes delas apenas 1% da população negra fazia o curso superior. Assim, a cota na universidade se torna uma reparação não material à população que por anos ficou de fora; Wilson completou: ânós só estamos pedindo para entrar, mas lá todos tem que tirar a média 7â, demonstrando que as cotas não são âmolezaâ para os estudantes negros, porque dentro da universidade ele deve ser igual nos direitos e deveres de estudante, desenvolvendo suas habilidades pessoais e profissionais.




