Nordeste: 83% das domésticas não possuem carteira assinada

Sua empregada doméstica tem carteira assinada? ?Não, ela é da família? ou ?não precisa, ela já está com a gente há muito tempo? são justificativas comuns dos patrões brasileiros. Sete em cada dez trabalhadores domésticos não têm carteira assinada no Brasil. No Nordeste, a situação é ainda pior: 83,4% permanecem na informalidade. A região possui a menor média salarial para os domésticos: R$ 594 para os que têm carteira assinada e R$ 285 para os que não estão formalizados.O Brasil tem 6,65 milhões de domésticos, mas 4,61 milhões não terão acesso à Emenda Constitucional 72 (conhecida como PEC das Domésticas), aprovada em março. A emenda garante 16 novos direitos para os trabalhadores residenciais. Os outros empregados ? os celetistas ? já gozam das mesmas leis há 25 anos. ?Na Constituição de 88, os trabalhadores domésticos ficaram à margem de uma série de direitos como se fosse uma subcategoria. Depois de décadas, uma emenda constitucional busca trazer a igualdade entre os trabalhadores. Isso mostra uma defasagem no tratamento dos domésticos e uma presença de traços da escravidão?, diz Frederico Fernandes, coordenador do Observatório do Trabalho da Bahia, órgão da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). Em parceria com o Dieese, o Observatório realizou a 1ª Oficina do projeto Estratégias de Redução da Informalidade no Emprego Doméstico na semana passada. A Bahia foi escolhida pelo Dieese para dar início ao projeto pela elevada incidência de informalidade e, já nos primeiros dias, as raízes do problema foram identificadas. ?É muito comum no Nordeste e, especialmente na Bahia, o patrão que traz uma menina do interior e diz que vai criá-la como uma filha, mas que, na verdade, a submete a um ritmo de trabalho intenso. A trajetória dela é uma sina, de alguém que vai reproduzir a miséria e permanecer na informalidade?, conta Fernandes, lembrando que o caso ainda se enquadra como trabalho infantil. (Correio)