Fronteira entre carros de luxo e populares está menor

Para conquistar novos clientes, os fabricantes de automóveis não hesitam em equipar os carros populares com elementos antes reservados aos modelos de luxo, diminuindo a fronteira entre ambos os segmentos.

Bancos de couro, sistemas de ajuda para dirigir e até telas de toque tendem a se estender entre os novos modelos de carros, inclusive entre os que não são de alto padrão. E a velocidade com a qual as novidades passam do segmento “premium” aos veículos para o grande público não para de aumentar.Neste contexto, alertam os analistas, as marcas de luxo devem buscar preservar aquilo que as diferencia das outras: sua reputação, conforme pontua Tom Libby, analista da IHS Automotive.

 ? Você pode comprar sedãs como Nissan Maxima ou Buick LaCrosse super-equipados, mas não terá a imagem associada a um modelo de alto luxo.

 Por esse motivo, os fabricantes de carros de luxo devem ser prudentes quando lançam pequenos modelos mais acessíveis com o objetivo de ganhar novos clientes, avalia Dave Sargent, analista da JD Dower.

 ? É necessário prestar atenção ao fato de que, se vende mais veículos, já não é uma marca “premium”.

Outro risco desta prática é que os clientes habituais dos modelos de alto padrão se voltem aos veículos menos caros, acrescenta. Os especialistas em modelos luxuosos, como a alemã Daimler, afirmam, contudo, que esse não é o caso. No ano passado, a Mercedes-Benz lançou nos Estados Unidos o sedã compacto CLA, vendido a partir de US$ 29.700.

 O fabricante insiste que o modelo não ameaça a imagem do grupo ou o sedã tradicional, o Classe C, que representa seu maior volume de vendas no mundo. Para a fabricante alemã, cerca de 80% dos compradores dos CLA são novos clientes da marca, conforme reforçou o presidente da Daimler, Dieter Zetsche, no Salão de Detroit. (R7)