Opinião: As rebeliões nos presídios de São Luís e a realidade da cadeia pública de Santo Antônio de Jesus

Essa situação que está acontecendo em São Luis, com casos de selvageria entre presos, conflitos entre facções, homens decapitados, imagens horríveis mostradas nesta semana pela Folha, podem se tornar mais frequentes no Brasil. O fato é que a situação do presídio de São Luís mostra a realidade vivida em vários presídios do país.

Esse é o resultado dessa maneira como se quer recuperar , se é que alguns deles podem ser recuperados. Presos amontoados, facções inimigas dividindo o mesmo espaço, brigando até um arrancar a cabeça do outro, preso de dentro do presídio comandando ataques a ônibus, mandando matar policiais e inimigos.

Há muito tempo já foi levantada a questão da necessidade de termos um presídio em Santo Antônio de Jesus. Todos os anos nós temos fugas de presos, e pelo menos a cada dois anos nós temos uma rebelião. Os presos não são ouvidos, as autoridades não deixam a imprensa falar com eles, que é o que os detentos mais desejam. Mas nem é preciso ouvi-los para sabermos a principal queixa: superlotação.

A cadeia pública de Santo Antônio de Jesus é uma simples cadeia pública, mas é tratada como se fosse um presídio, não no sentido de ter segurança máxima, mas por receber bandidos perigosos da região, criminosos que demoram para serem transferidos. Esse é o problema do nosso sistema penitenciário. Bandidos espertos, perigosos, que não deveriam estar aqui, fogem constantemente.

Em uma entrevista concedida à Rede Baiana de Rádio, capitaneada pela Rádio Andaiá, o governador Wagner disse que tem muita vontade de colocar um presídio aqui, mas a realidade é que há uma dificuldade para encontrar terreno, pois ninguém quer vender terreno para construir presídio. Só se consegue por meio de uma briga na justiça por desapropriação. Ninguém quer ser vizinho de presídio para não desvalorizar o seu imóvel.

A verdade é que não podemos mais aceitar isso. Que se construa em uma área distante, em alguma zona rural de alguma cidade vizinha, ou em Santo Antônio mesmo. O governo vai ter que comprar essa briga. Temos o presídio de Valença, mas apenas esse é insuficiente.

Claro que não é uma obra que eu gostaria de estar pedindo. Poderíamos estar solicitando escolas, mas isso também não seria o bastante. Não adianta só cobrar ao governo. Deveríamos ter pais preocupados com a educação de seus filhos, para alertá-los do perigo das drogas. Assim, misturou-se a falta de educação com a chegada de drogas viciantes e aí está uma das causas da criminalidade.

Além de Universidade Federal, do Hospital Regional, nós precisamos de um presídio. Caso contrário vamos conviver com essa situação de presos fugindo, se rebelando, queimando delegacias. Não podemos mais aceitar cadeias como se fossem presídios.

Léo Valente