Seguindo a máxima de que quem tem fé vai a pé, o grupo Caravana do Bolão, de Santo Antônio de Jesus, não negou ao Senhor do Bonfim o sacrifício de percorrer ?na paleta? os oito quilômetros da Conceição da Praia à Colina Sagrada.
Mas, como diria a canção Chame Gente, de Armandinho e Moraes Moreira, o baiano não é só sagrado. Também é profano (e como!). Por isso, foi inevitável: a devoção da Caravana do Bolão se misturou ao samba e à cerveja. Às margens da Colina Sagrada, até o Hino do Senhor do Bonfim já tinha virado ?partido-alto?.
No lado profano do Bonfim, deu de tudo: do samba ao reggae, passando pelo pagode. Próximo à Igreja do Bonfim, o grupo de street dance New Black animou o público com hits de pagodões nada religiosos. ?O Bonfim também é a abertura do Carnaval?, justificou o dançarino Richard La Chocolly, 21.
Mas… e o álcool? Combina com a devoção? A reportagem do CORREIO preferiu não perguntar ao alto clero de Salvador ou aos filhos de santo. O povo nas ruas, porém, garantiu que combina. ?Oxe! Eu venho da Suburbana, dou uma andada miserável e não vou tomar uma geladinha??, reivindicou a costureira Paula Silva, 36. (Correio)


