Tirar poder de promotores ‘é retrocesso’, diz ministro

A resolução que tira o poder de promotores de pedir investigações de crimes eleitorais é um ?retrocesso?, afirmou nesta quinta-feira, 16, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, à rádio Estadão. Único membro da corte a votar contra a norma, aprovada em dezembro, Marco Aurélio entende que o texto cria um ?obstáculo? à atuação do Ministério Público Eleitoral. Nessa quarta feira, 15, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, protocolou no TSE pedido de revisão da resolução. Marco Aurélio acredita que a decisão seja revista, já que a norma pode ser contestada posteriormente no Supremo Tribunal Federal (STF). ?A lei é muito explícita quanto a essa prerrogativa do Ministério Público. E surge até um paradoxo: o MP é titular da ação penal, ele pode apresentar denúncia. Mas não pode provocar instauração da investigação em si? Fica a pergunta no ar?, declarou o ministro. A resolução foi aprovada na última sessão de dezembro do TSE, conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo. Se mantida, promotores e procuradores terão de pedir autorização à Justiça Eleitoral para abrir uma apuração de suspeita de caixa dois, compra de votos, abuso de poder econômico, difamação e várias outras práticas. ?A prevalecer esse contexto, nós teríamos um verdadeiro retrocesso?, afirmou Marco Aurélio. (Agência Estado)