Comerciantes argentinos investem em máquinas de contar dinheiro

Na Argentina, a inflação alta obrigou os comerciantes a investir em máquinas de contar dinheiro, como mostra a correspondente Delis Ortiz.

Viver na Argentina exige mais dinheiro a cada dia: é a inflação, que deve bater nos 40% este ano, segundo alguns economistas. O governo ainda resiste a admitir isso tudo. Os grandes bancos cobram do governo a emissão de notas de 500 pesos, dizem que está impraticável trabalhar com grandes volumes de dinheiro de baixo valor. A nota mais alta por lá é a de 100 pesos, que vale pouco mais de US$ 12, menos de R$ 28, um quarto do que valia há sete anos.

Para piorar, alguns comerciantes só aceitam pagamento em dinheiro. ?Por aí, em outro lado do mundo, as pessoas não usam dinheiro, fazem tudo com cartão de crédito, mas na Argentina há muita circulação de dinheiro?, diz um gerente de vendas.

E a máquina de contar dinheiro é a vedete da crise. Não interessa mais só aos bancos e casas de câmbio. Agora, todo mundo quer uma contadora de dinheiro. É tamanha a procura, que tem lista de espera. O gerente diz que houve um aumento de 30% na venda das máquinas.

Um produto de primeira necessidade para Julio, atacadista de guloseimas. Seus clientes são vendedores de rua, que pagam com trocados. Aí, é impossível viver sem a máquina, diz ele.

Para contar à mão levaria muito tempo. ?Estaria todo o dia contando, contando, e contando, e não poderia trabalhar?, conta o atacadista.

Fonte: JN