Vice-prefeito Faustino Cunha dá aula sobre a história de Santo Antônio em entrevista a rádio Andaiá FM

Comemorando 134 anos de emancipação política, Santo Antonio de Jesus coleciona histórias, como por exemplo, já serviu como sede do Governo do Estado por alguns dias. Quem contou mais curiosidades a respeito da cidade foi o vice-prefeito Faustino Cunha, que começou falando como era chamada a pessoa incumbida de governar o município que ainda estava em processo de formação, e naquele tempo recebia o nome de ?entendente?, que era uma espécie de prefeito nomeado, pois não era eleito pelo povo até então, e sim ordenado pelo governador. Nos primórdios não havia vereadores, e sim pessoas influentes que participavam das tomadas de decisões. Quando passou a ter eleições não havia a figura do vice, na ausência do mandatário, quem respondia era o presidente da câmera. O primeiro suplemente foi justamente o atual: Faustino Cunha. O primeiro ?entendente? da cidade foi Antonio Nazareno, depois dele tiveram outros como Osvaldo Fonseca, já o primeiro prefeito eleito foi Drº Idelfonso Guedes de Araújo.

Vocação comercial:

A cidade de sempre teve vocação comercial, a prova disso está em sua fundação, pois recebia as tropas que conduziam as mercadorias para cidade de Nazaré, antes de chegar ao destino final, paravam em Santo Antonio de Jesus para dormir. Existe uma dúvida sobre qual ponto exatamente começou a cidade, se na Praça São Benedito ou se na Praça Padre Mateus, o que sabe é que foi do Padre Mateus a ideia de fazer uma capelinha bem no local que os mercadores paravam para descansar, isso é o que se sabe de acordo com os relatos, pois parte do acervo histórico foi queimado em um incêndio ocorrido em Salvador.

Primeiras eleições:

As primeiras eleições eram abertas, feitas no cartório onde tinha um livro, e o eleitor assinalava seu nome e o nome do candidato, todos tinham livre acesso aos votos, ou seja, qualquer um poderia ler.

Sede do Governo:

Por duas vezes a cidade sediou o Governo do Estado, como na intervenção de Landulfo Alves.

Comício e confusão:

Conta à história que existia na cidade o deputado e Drº Humberto Guedes, ele juntamente com o irmão e o pai fazia oposição ao grupo de Juracy Magalhães, na época interventor da Bahia, quando chegou a Santo Antonio de Jesus, José Joaquim Seabra fazendo campanha para uma eleição democrática, quando começou um comínio na antiga Praça da Estação ( hoje conhecida como praça do Táxi), e no palanque estava Otavio Mangabeira, Drº Rosalvdo Fonseca, dentre outros, quando a palavra foi passada para a juventude da cidade e o representante era Guiomar França, então com 15 anos, ela começou o discurso falando ?abaixo a ditadura e morra o tenente de 30?, em alusão ao interventor Juracy Magalhães, o suficiente para decretarem a morte dela,  Srº Odozio e Pássaro Preto, um soldado aposentado e o outro vaqueiro, sacaram de imediato as armas e atiraram, mas o tiro atingiu o braço do Major Eduardo, pondo fim ao comício, começaram a evadir do local de costas, só quem ficou no palanque foi Temicío Fonseca, que como o próprio nome sugere, era bem destemido. Depois de um processo a ditadura caiu e entrou a democracia.

Fazenda matriculada:

Naquele tempo quem era preso e conseguisse correr e colocar as mãos em uma cerca ou cancela de uma ?fazenda matriculada?, não podia ser mais preso.

 Nome da história, conheça os personagens e motivos que nomeiam as ruas da cidade:

Florentino Firmino de Almeida foi fazendeiro na região de Conceição do Almeida e comerciante na 4ª esquina em Santo Antonio de Jesus, foi prefeito duas vezes.

João Delfino, vereador de grande influência na cidade, por isso recebeu o nome de uma rua.

Por que Rua do Gás? Porque houve uma época que a energia da cidade era pouca, e todos compravam gás para acender lamparina, e houve uma falta de gás, então um cidadão vendia gás justamente nessa rua e a fila era imensa, por isso ficou conhecida por esse nome.

Já a Rua da Linha era pela proximidade com a estação de trem, era uma rua plana.

Rua Barros de Almeida foi nomeada para homenagear duas famílias uma com sobrenome Barros e outra Almeida, pessoas de influência na cidade.

Rua Velha porque para ter acesso a cidade tinha que passar pela Antonio Mendes, até quando foi criada uma nova rua de acesso.

Soter Barros foi maestro da filarmônica, um artista de mão cheia, por isso deu nome a rua.

Maria Preta: ela montava uma barraca de palha aos sábado que vendia cachaça, por isso a fama, porque o pessoal saia para se encontrar e beber lá já que não havia bar.

Jornal na cidade?

A história da comunicação santo-antoniense começou com o jornal O Paládio, de Antonio Mendes, que circulou até no Rio de Janeiro. Morador da Rua Velha que mudou o nome para homenagear o dono do jornal.