conflitos relacionados ao uso da água crescem quase três vezes na Bahia

Os conflitos relacionados ao uso da água na Bahia cresceram no ano passado quase três vezes em comparação com 2012, saltando de 8 para 21. É o que aponta um relatório elaborado por pesquisadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Instituto de Geociências da Ufba, que será apresentado amanhã. O número se refere apenas às disputas travadas por camponeses contra o governo, grupos empresariais e donos de fazendas, envolvendo sobretudo o acesso a recursos hídricos por comunidades da zona rural. ?Do total de casos registrados e acompanhados pela comissão em 2013, 14 deles, ou seja, a maioria, têm origem em conflitos ligados ao Projeto Pedra de Ferro, desenvolvido pela Bahia Mineração (Bamin) em Caetité e Pindaí?, afirma o sociólogo Rubem Siqueira, da CPT. Em segundo lugar, estão os embates relativos a obras da Petrobras na Baía de Todos os Santos.

Estiagem põe mais de um terço das cidades em situação de emergência

A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil reconheceu, ontem, a situação de emergência de 106 municípios da Bahia por conta da falta de chuva. Com isso, sobe para 145 o número de cidades que sofrem com a estiagem prolongada no estado, o que corresponde a mais de um terço dos 417 municípios.

 O reconhecimento foi publicado no Diário Oficial da União e deve ajudar a agilizar o processo de aquisição de alguns benefícios, como ração para gado e carros-pipa, para amenizar os danos climáticos. Em Lajedinho, por exemplo, onde em dezembro passado as chuvas provocaram estragos e deixaram mais de 800 desabrigados ou desalojados, agora é a seca que preocupa.

 Segundo o prefeito Antônio Mário Lima, dois dos quatro poços artesianos locais secaram e dois carros-pipa levam água para as áreas mais distantes. ?São 4.800 habitantes, mas a população vive em uma área de 850 m². São necessárias mais de 200 viagens todos os meses para levar água a todos?, conta. Com o atestado, fica mais fácil conseguir recursos. ?O reconhecimento ajuda na dispensa de algumas formalidades.

 

A prefeitura pode abrir mão, por exemplo, de licitação para contratar carro-pipa?, explica o superintendente de Proteção e Defesa Civil (Sudec), Salvador Brito. Segundo ele, o governo estadual tem ajudado na construção de cisternas, adutoras e poços artesianos, entre outros.