Internacional Travessias continua irritando passageiros com promessas não cumpridas

Reclamações sobre o ferryboat de Salvador não são novidade. Seja pela longa espera na fila ou pela falta das embarcações, não é de hoje que a população soteropolitana vem sofrendo com o descaso no sistema. E, nem mesmo a troca da concessionária consegue amenizar o descaso.

À frente do ferry desde março de 2013, quando assumiu em caráter emergencial, a Internacional Travessias pouco fez para solucionar as principais queixas dos usuários. “Voltaram três ferries vazios para Salvador e as pessoas ficaram revoltadas, porque 14 descarregaram, voltaram vazios e as pessoas esperando. Alegaram que, em alguns, os carros, por serem altos, não podiam entrar e, naqueles ferries novos, um chegou e também voltou vazio”, reclamou o leitor Jorge Alonso.

O diretor-executivo da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), Eduardo Pessoa, confirma que as novas embarcações operam com restrição e tenta argumentar o que parece ser inexplicável. “Enquanto esses barcos estiverem em operação assistida, nós só estamos permitindo que haja embarque de pedestre quando tiver um grande fluxo. Quanto àqueles carros de mão e bicicletas, não podemos permitir, porque esse barco tem uma capacidade muito grande, então você tem que ter agilidade, senão você prejudica o embarque dele, porque nós ainda não estamos suficientemente treinados para operá-lo”, falou. Apesar dos mil e um argumentos da Agerba e da Interna- cional Travessias, a população ainda continua aguardando a melhora efetiva do serviço.

MP age contra Internacional

Para tentar pôr fim aos desmandos das empresas que operam o ferry, o Ministério Público (MP-BA) já ingressou três ações contra o serviço. “Desde 2009, o MP vem adotando providências judiciais em relação ao péssimo e precário sistema […]. Foram propostas duas ações em 2009 […]. Agora, em 2014, uma ação civil pública foi proposta contra a atual concessionária acerca dessa qualidade questionável envolvendo descumprimento de horário, atendimento precário à população e recursos que não são disponibilizados de forma satisfatória”, explicou a promotora Joseane Suzart.

Cadê a hora marcada?

Desde o início de 2013, os usuários do ferry não contam com os tickets de hora marcada. Anunciada pela Internacional Travessias, a venda deveria ser retomada até dezembro do ano passado, mas a promessa ainda não foi cumprida. “Estamos em pleno processo de implantação de um novo sistema de bilhetagem. Estimamos disponibilizar o serviço durante o verão”, projetou, de novo, a empresa. Segundo o advogado especialista em direito do consumi- dor Alexandre Dórea, os usuários devem guardar todos os comprovantes de pagamentos para que possam reclamar do serviço na Justiça.

Prazo para melhorias está se esgotando

Governo e Internacional Travessias têm apenas pouco mais de um mês para cumprir o prazo das melhorias que, segundo o secretário de Infraestrutura do estado, Marcos Cavalcanti, serão implantadas. “Esse ano, rodamos na maioria dos feriados com seis embarcações. O sistema tem dez, então, nós devemos ter um final de ano bem melhor do que tivemos nos anos anteriores”, afirmou à Metrópole em setembro. “Algumas mudanças pontuais, mas importantes, têm sido feitas. Outras tantas estão sendo planejadas e executadas. O que nos dá a segurança que a população, em breve, vai dispor de um serviço adequado à sua necessidade”, acrescentou a Internacional. A população continua esperando.