Há uma ausência de sintonia entre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e o aumento da renda da população brasileira. De acordo com dados apresentados nesta quinta-feira (20) pelo ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, Marcelo Neri, entre 2003 e 2013 o desenvolvimento anual da renda per capita ficou em 4,7%, enquanto o PIB per capita cresceu 2,8%. Isso significa, na prática, que a capacidade do Brasil em produzir fica muito quém do potencial de consumo.
As informações foram divulgadas durante lançamento do primeiro volume do estudo Produtividade no Brasil – Desempenho e Determinantes, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). De acordo com Neri, entre os anos de 2000 e 2009, o cenário se repetiu, quando a taxa média de crescimento anual do PIB, de 3,42%, teve pouca relação com alta da produtividade.
“Apenas um terço desse crescimento [do PIB] pode ser atribuído ao crescimento da produtividade no trabalho. Os dois terços restantes advieram do crescimento do pessoal ocupado (…) Isso explica porque o PIB per capita descola-se da produtividade no trabalho”, afirma o texto do estudo. As áreas destacadas como carentes de investimentos para aumentar a produtividade foram tecnologia da informação, infraestrutura, qualificação de mão de obra e ambiente de negócios.


