A bonequinha viu… Indícios Dois.

O número de produções brasileiras voltadas ao público LGBT tem crescido de maneira considerável, ocupando cada vez mais espaços em festivais e até circuitos comerciais. A temática já não é mais restrita só a seu público, todavia, nem todas essas produções estão acessíveis a todos, visto que a maior parte dos festivais se concentra em um único eixo do país. Pensando nisso, o filme escolhido para essa semana é um curta, disponibilizado pelo próprio diretor, de maneira legal e gratuita, acessível a todos. A bonequinha viu? Indícios Dois.

Dirigido e escrito por Dannon Lacerda, no filme acompanharemos o cotidiano dos amigos Pedro (Bruno Dubeux) e Guto (Caetano O?Maihlan), que após se mudarem para o Rio de Janeiro tornam-se ainda mais próximos. Novos sentimentos e afetos são descobertos, indícios de sentimentos em evolução que misturam-se ao presente e a memória. Sonho e realidade.

Lançado em 2012, no Curta Cinema ? Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro e logo após na 19ª edição do Festival Mix Brasil, o filme faz parte de uma trilogia chamada Indícios ? apesar de haver uma quarta produção com o nome de Abismos ? onde o principal destaque são os sentimentos humanos. Os diálogos são simples e bem corriqueiros, mas a grande sacada do filme está no toque, nas trocas de olhares em gestos bem simples. Dividir um apartamento com um amigo e ter só uma cama de casal para dormir, parece bem intencional, mas a proposta é essa. Os versos escritos na parede denotam o amor que exala daquele espaço e que revelam uma história anterior. Aonde essa aproximação pode levar? Onde essa intimidade do dia a dia, lado a lado, pode de fato levar você a desejos, que durante tanto tempo ficaram às escuras? O público saboreia cada um desses breves, mas intensos 12 minutos, com um final que é a cereja do bolo. Lacerda soube conduzir muito bem o texto, fazendo-nos chegar exatamente aonde ele queria: afinal o que eu quero?

O elenco não precisa de muito, mas Bruno Dubeux (que já atuou em Geração Brasil e Malhação) nos faz sentir o que ele sente, nos leva às suas confusões, dúvidas e impressões. Não que a atuação de Caetano O?Maihlan (que já participou de folhetins como Sete Pecados, Viver a Vida e Insensato Coração) seja menos importante, mas é algo secundário. A ótica do filme é sobre o olhar de Pedro e não há como negar que ele acaba dando o corpo e a forma de como veremos tudo. Como disse, não é algo maravilhoso ou de destaque, mas que merece sim ser mencionado.

Fonte: Revista Fórum