No mês passado, a Petrobras divulgou seu balanço de 2014 com um prejuízo de mais de R$ 20 bilhões, causado pela corrupção na estatal e por erros de gestão e investimento. Esta semana, reportagens do CORREIO mostraram como o desastre administrativo e os desvios na Petrobras mudaram – para muito pior – a vida de municípios baianos do Recôncavo e seus moradores, que haviam aproveitado uma onda de prosperidade com a construção do Estaleiro Paraguaçu, em Maragojipe.
O estaleiro, que está praticamente pronto, foi erguido para construir navios-sondas para exploração do pré-sal. A estatal é a principal acionista da Sete Brasil, empresa que encomendou os navios-sondas. A crise da Petrobras atingiu a Sete e esta passou a atrasar o pagamento à Enseada Indústria Naval, proprietária do estaleiro, que, por sua vez, tem como sócias empresas acusadas de formação de cartel e pagamento de propinas.
O escândalo descoberto na Petrobras transformou o sonho dos moradores da região em pesadelo. As obras pararam, 6.700 trabalhadores foram demitidos, os municípios perderam arrecadação, comerciantes amargam prejuízos, famílias inteiras estão sem trabalho.
Os relatos dramáticos dos moradores de Maragojipe, Salinas da Margarida, Nazaré das Farinhas e Santo Antônio de Jesus – municípios mais atingidos pela paralisação do estaleiro – aos jornalistas do CORREIO ilustram como desmandos e desvios no alto escalão da administração pública afetam diretamente a vida dos cidadãos mais simples, dos trabalhadores em geral. A crise na Petrobras – a maior empresa brasileira – já provocou suspensão de investimentos e paralisação de obras também em outras partes do país.
A Enseada Indústria Naval investiu mais de R$ 2 bilhões na construção do estaleiro, que está com 82% da obra física pronta. Esperava-se que, em funcionamento, a empresa gerasse 15 mil empregos diretos e indiretos.
É esse impacto econômico e social que está em jogo na Bahia e, felizmente, a sociedade baiana já está se mobilizando para defender esse investimento. Amanhã, a Federação das Indústrias do Estado da Bahia vai promover o Encontro com a Bancada Federal Baiana em Defesa da Enseada Indústria Naval, com o objetivo de debater a crise na indústria naval, com foco no projeto Enseada.
Foram convidados pela Fieb os três senadores baianos, os 39 deputados federais, representantes dos governos estadual e federal, da Confederação Nacional da Indústria, além de prefeitos das cidades da região. Essa mobilização é fundamental para que, independente das investigações, a Petrobras retome seus investimentos e normalize os pagamentos para que o estaleiro seja concluído e a Enseada comece a produzir navios no Recôncavo, levando à região o desenvolvimento prometido quando a obra começou, há três anos.


