Diretor demitido da Câmara ajuda Janot na busca de documentos

A ação da Força Tarefa da Lava Jato para investigar envolvimento do presidente da Câmara com o esquema de corrupção, por meio da busca de documentos no setor de informática da Casa, foi motivada por um ex-diretor da área de informática da Cãmara, que decidiu depôr voluntariamente.

Luiz Antônio Souza da Eira era concursado. Foi exonerado, no dia 28 de abril, por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e em seguida foi à Procuradoria-Geral da República delatar. As citações de Eira teriam sido decisivas para que os procuradores pedissem acesso aos documentos disponíveis na Casa.

Até então, as investigações que miravam Cunha, na lista de diligências pedidas ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não incluíam esse acesso.

Entre segunda (04) e terça-feira (05), procuradores fizeram a vistoria na seção de informática.

De acordo com a denúncia de Janot enviada ao STF, Cunha teria arquitetado a elaboração de dois requerimentos na Câmara, questionando informações dos contratos da Petrobras com a Mistui – empresa que pagaria propina para Cunha e o PMDB – como forma de coerção, pela suspensão dos pagamentos.

As informações constavam na delação premiada de Alberto Youssef. Os pedidos foram apresentados na Câmara em 2011, sob o nome da então suplente do deputado Solange Pereira de Almeida, hoje prefeita de Rio Bonito (RJ). Entretanto, os registros eletrônicos mostram Cunha como autor dos requerimentos, o que comprovaria as delações de Youssef.

Eduardo Cunha nega as acusações e nega ser autor dos pedidos de informações.

Luiz Antônio Souza da Eira, o novo depoente, foi exonerado um dia depois de o jornal Folha de S. Paulo revelar que Cunha era o autor dos requerimentos. Cunha justificou que a demissão do concursado foi porque ele estava sendo alvo de “represália”, depois de ter alterado a carga horária dos funcionários.

Fonte: GGN