Mercado de casamentos movimenta R$ 15 bilhões no Brasil Ronaldo Jacobina

Lidar com finanças nunca foi problema para Isabelle Pavetto, 28, e Luiz Eduardo Sampaio, 32. Ao contrário, formados em administração, os dois sempre estiveram às voltas com contas e mais contas. Alheias, bem verdade. Desde janeiro último, porém, quando decidiram  que juntarão as escovas de dentes no próximo dia 21 de novembro, o  casal viu o trabalho dobrar. As planilhas, contas, orçamentos e faturas, antes restritos ao escritório, agora estão espalhados pelas salas, quartos e demais cômodos da casa dos  pais.

O desafio é provar que em casa de ferreiro o espeto não é de pau. Mesmo que os recursos venham dos paitrocinadores. “É uma loucura administrar tantos gastos. Toda hora descobrimos que falta fechar uma coisa, não há dinheiro que chegue”, diz a ansiosa noivinha, sem demonstrar qualquer sinal de que está apreensiva com a fortuna que a família desembolsará com o seu grande dia. O orçamento previsto, garante, há muito ficou para trás. “Imaginávamos gastar entre R$ 100 mil  e R$ 150 mil, mas já estamos próximos do dobro disso”, ri.

Não há como estimar o  custo de uma cerimônia. Cada evento é único. Fato é que casar custa caro. Considerando a planilha de  Isabelle e Luiz, conclui-se que  entre  decoração, bebidas e buffet, os principais itens da festa, comprometeram 50% do orçamento. “A outra metade vai para o vestido, fotos e vídeos, convites, espaço, som, iluminação e  os diferenciais e extras”, diz a sorridente noiva . O riso que entremeia suas frases está longe de ser de desespero. É de felicidade mesmo. Aquele sentimento que toma conta dos apaixonados quando pensam na cerimônia de casamento. Sai ano, entra ano, e o sonho de subir ao altar – de preferência em alto estilo – permanece.

No ano passado, segundo o IBGE, um milhão de uniões foram realizadas no Brasil. Destas, 10 mil em Salvador. Tamanho desejo aguça o apetite voraz do mercado. O sonho dos românticos casais traz na esteira um nicho gigantesco de fornecedores sedentos para abocanhar uma fatia.

De acordo com a Associação dos Profissionais, Serviços para Casamento e Eventos Sociais (Abrafesta), o segmento movimentou, no ano passado, cerca de R$ 15 bilhões e envolveu centenas de prestadores de serviços. Do aluguel de carros, casas de festas e roupas à contratação de artistas, serviços de buffets, decoração, bolos, som, iluminação e por aí vai. “Em se tratando de festa de casamento, o céu é o limite”, diz a noiva.

Na opinião do psicanalista Marcelo Veras, o casamento está perfeitamente inserido na sociedade de consumo. “O fato de essa indústria movimentar milhões curiosamente está muitíssimo longe de confirmar a solidez da instituição casamento”, afirma. Para ele, muitas vezes, ocorre o contrário. “Antes, a união era presidida por referências simbólicas sólidas, hoje é presidida pelo império dos semblantes contemporâneos: muitas fotos, selfies, vídeos, a viagem de lua de mel, é o que podemos chamar de império do efêmero”. 

Efêmero ou não, só o tempo dirá. Certeza mesmo é que a pompa continua em alta. E não para de agregar novos itens e de criar novas tendências. Da paleta de cores – que determina o tom,  desde a decoração  até os invólucros dos doces servidos  – até o estilo da celebração. Este ano, o tom é o marsala (um marrom avermelhado). O estilo, o praiano, eleito por Isabelle e Luiz, que casarão no  B Blue, em Itacimirim. (Atarde)