Em tabelinha com Época, outro produto editorial da família Marinho, o jornal O Globo publicou nesta sexta-feira (12) uma reportagem acusando o Ministério das Relações Exteriores de deflagar uma ação “para evitar que documentos que envolvam o ex-presidente Lula com a Odebrecht, empreiteira investigada na Operação Lava Jato, venham a público.”
Segundo o jornal, um repórter de Época enviou ao Itamaraty uma série de pedidos com base na Lei de Acesso à Informação e, imediatamente após essa investida, o diretor do Departamento de Comunicações e Documentação (DCD), ministro João Pedro Corrêa Costa, teria enviado um memorando à Subsecretaria-Geral da América do Sul, Central e Caribe (Sgas), solicitando análise sobre a necessidade de documentos serem reclassificados como “secretos”.
“O Globo obteve um memorando que ele disparou, na última terça-feira (9), sugerindo a colegas do Itamaraty que tornassem sigilosos documentos 'reservados' do ministério que citam a Odebrecht entre 2003 e 2010, que, pela lei, já deveriam estar disponíveis para consulta pública. Pela lei, papéis 'reservados' perdem o sigilo em cinco anos. No ofício interno do Itamaraty, o diplomata [Costa] cogita a reclassificação dos documentos como 'secretos', o que aumentaria para 15 anos o prazo para divulgação. Dessa forma, as informações continuariam sigilosas por até dez anos”, escreveu O Globo.
O jornalista Filipe Coutinho solicitou “todos os telegramas e despachos reservados do Ministério que citam a Odebrecht e que, por conta do prazo, já deveriam ser públicos. No pedido, não há referência a Lula”, afirmou o jornal. “A citação ao ex-presidente aparece apenas na justificativa dada pelo chefe do DCD para pedir a reanálise dos documentos antes de decidir o que pode ou não ser entregue ao jornalista”, acrescentou.
Costa teria escrito ao DCD que “Nos termos da Lei de Acesso, estes documentos já seriam de livre acesso público. Não obstante, dado ao fato de o referido jornalista já ter produzido matérias sobre a empresa Odebrecht e um suposto envolvimento do ex-presidente Lula em seus negócios internacionais, muito agradeceria a Vossa Excelência reavaliar a anexa coleção de documentos e determinar se há, ou não, necessidade de sua reclassificação para o grau de secreto?.
No final de abril, Época publicou um texto declarando que o ex-presidente Lula poderia ter prática tráfico de influência internacional em benefício da Odebrecht junto a governos amigos na América Latina. Época abordava uma “investigação do Ministério Público Federal [contra Lula, que] foi aberta a partir de reportagem do jornal O Globo, que revelou, no dia 12 de abril, viagens de Lula pagas pela empreiteira.”
O jornal dos Marinho – que agora faz pressão para obter documentos que possam citar Lula – sublinhou que, pela Lei de Acesso à Informação, o que foi classificado como “reservado” a partir do primeiro mandato do ex-presidente petista “já poderia ser de conhecimento público.
Ainda de acordo com o periódico, o DCD já havia feito o levantamento e estava prestes a entregar o material ao jornalista de Época quando “recebeu o pedido para reavaliar tudo.” “Os arquivos foram distribuídos para cada setor do Itamaraty responsável pelos temas abordados para que eles analisassem o que era considerado comprometedor e, portanto, poderia ganhar o status de 'secreto'.” O prazo para conclusão dessa análise é nesta sexta-feira (12).
O PSDB do candidato derrotado à Presidência, Aécio Neves, anunciou nesta sexta que pedirá ao MPF que investigue a suposta tentativa de blindagem a Lula, com base na reportagem de O Globo.
O senador tucano Aloysio Nunes garantiu ao O Globo que conversou com a cúpula do Itamaraty e que o órgão vai liberar os documentos ainda nesta sexta-feira. O jornal já classificou o episódio como “Operação Abafa”, para blindar o ex-presidente Lula.
Fonte: GGN



