Em uma trajetória de 22 anos de estradas, um caminhoneiro não esperava passar quase 12 horas sob a mira de criminosos, justo quando estava no meio de seu expediente. Ele seguia de Duque de Caxias com uma carga de gás no sentido Niterói, mas foi interceptado por um carro e uma moto na rodovia Washington Luiz. Um homem armado perguntou se o veículo era rastreado e se tinha escolta. Dali em diante se iniciou uma sequência de momentos tensos, comandados por uma mulher, a Big Loira.
Após abordar o motorista no meio da via, eles obrigaram-no a seguir para a comunidade Gogó da Ema, no Complexo do Chapadão, zona norte do Rio. No local, outros assaltantes tinha fechado a rua para descarregar o caminhão. O desespero do homem era inevitável.
? Só pensava na família, em Deus, em sair daquela situação ileso. Porque a violência é tão grande, tem tanta coisa acontecendo, e pensei realmente que não fosse sair daquela situação bem.
Ele então foi levado para uma das bases da facção criminosa, onde foi recebido pela líder do bando, Rebeca de Oliveira Soares. Ela tinha o apelido de Big Loira que, na época, para despistar a polícia, tinha descolorido os cabelos. Envolvente, a mulher distraiu o homem enquanto a quadrilha agia. Ele acabou tendo uma boa impressão da moça.
? Era muito boa de conversa, muito educada, se mostrou o tempo tranquila do que estava fazendo.
Depois de cinco horas nas mãos dos bandidos, ele pensou que seria liberado, mas os criminosos queriam dinheiro.
? Chegaram pra mim dizendo que ia demorar mais um pouco porque tinham descoberto que meu patrão tinha dinheiro e que ia ter que pagar um resgate.
Dez horas se passaram. O resgate foi pago e ele deixou a comunidade dirigindo o caminhão. Entretanto, apesar da chefe da quadrilha estar presa, o trauma persiste e ele pensa em mudar de profissão. Contudo, ele afirma que a esperança é a última que morre.
? Já conversei com o patrão, e eu pensei até em parar, mas vamos ver se tem algum resultado positivo por aí. Eu tenho esperança, então eu me agarro nisso. (R7.com)


